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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Escatologia - À espera

E é isso aí. Chegamos ao fim de mais uma série de estudos, compartilhando ideias e ideais que valem a pena aprender. Vimos alguns princípios básicos da Escatologia, falamos da Agenda Escatológica de Jesus (que acabou provando ser um dos principais marcos de todos os nossos estudos!), a ideia do reino inaugurado e os últimos dias que ele inaugura (uma ideia estreitamente ligada à mensagem de destruição do templo de Jerusalém); sobre isso vimos também as diferentes correntes escatológicas na ideia do "milênio" de Apocalipse. 

Falamos do novo céu e nova terra, o tal do galardão que nos aguarda; falamos da linda mensagem contida na parábola das 10 virgens. Vimos temas polêmicos (e hollywoodyanos) como o anticristo, 666, a Grande Tribulação, a volta de Cristo, a ressurreição dos mortos e o juízo final. 

Em todos estes, e especialmente quando estudamos sobre missões e escatologia, vimos que o estudo do fim dos tempos não vem para satisfazer curiosidade, mas para nos ensinar a viver uma boa vida na terra enquanto aguardamos o fim. 

E o que fazer com tudo isso que aprendemos? Um dos grandes problemas da igreja hoje (e dos crentes em geral) é viver na terra sem olhar para as coisas do alto. Por isso frisamos tanto nos estudos a importância de estar preparado para o retorno de Jesus e viver uma vida com responsabilidade, que reflita o caráter de Cristo e assim sejamos encontrados firmes quando ele voltar.

Agora é viver à espera do retorno de Jesus.


Na agenda escatológica de Jesus, ele faz uso de cinco parábolas para deixar mais claro o contido na Agenda. São elas: a parábola da figueira (Mt. 24:32-42), a parábola do pai de família e o ladrão (Mt. 24:43-44), a parábola do bom e do mau servo (Mt. 24:43-44), a parábola das virgens (Mt. 25:1-13) e a parábola dos talentos (Mt. 25:14-30). Todas elas estão ligadas à ideia de preparação, inclusive uma delas nós já estudamos um pouco mais a fundo (a das virgens) e estão ligadas à ideia de espera com responsabilidade. 

Na parábola da figueira e do pai que não sabe a hora que o ladrão virá, Jesus quer alertar aos seus discípulos que não tenham uma espera curiosa, para só saber o que vai acontecer. O que Jesus quer é: "Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão." (Mt. 24:32).

Nos tempos de Jesus, o figueira era a primeira planta que florescia e dava frutos, ela anunciava a estação de colheita que estava prestes a iniciar. Em vários momentos na Bíblia a figueira traz a ideia de mostrar que algo está prestes a acontecer. Quando a igreja não atenta para os sinais ao seu redor e não se prepara, torna-se rapidamente mundana. É isto que Paulo alerta quando escreve aos romanos
"E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Rm. 12:2)
Às vezes parece que Jesus estava errado. Todo mundo lê isso e pensa: "Ora! Mas como é que eu não veria o fim do mundo se aproximar? Está tudo aí!". Porém a Bíblia mesmo prova que isso já aconteceu antes. É o que Jesus explica na parábola:
"Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem." (Mt. 24:25-37)
Que os ímpios não vejam até é plausível, mas a Igreja tem que estar preparada! Ela não pode se misturar ao mundo ao ponto de ser igual a ele, temos que ser diferentes. Nossa vida nessa terra é passageira e temos que lembrar qual é o nosso ponto de chegada: "Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus," (Ef. 2:19)

Na parábola do pai de família, Jesus é irônico em dizer que ninguém combina com o ladrão a hora que vai ser roubado. E justamente por causa disso, a gente vive olhando para os dois lados da rua, verificando se não tem ninguém rondando nossa casa, vivendo com responsabilidade e ficando atento aos sinais de algo que pode acontecer a qualquer momento. Que parábola perfeita!

Na parábola do servos fieis, Jesus está alertando para algo que ele já saberia que ia acontecer: na igreja primitiva, muitos achavam que era questão de semanas, no máximo, até Jesus voltar: "tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda?" (II Pe 3:3-4a)

E quando ele não o fez, muitos abandonaram da fé, porque sua verdadeira esperança não estava em Cristo, mas nas coisas que eles queriam que acontecesse. O problema disso tudo estava em viver uma espera que não refletia fidelidade. Deus não tem que fazer as coisas no nosso tempo. Uma espera responsável não é uma espera egoísta, querendo atingir nossos próprios objetivos. A espera está muito mais ligada com a ideia de viver com fidelidade. Isto fica evidente na parábola dos servo bom e do mau. Leiamos:
"Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens. 
Mas, se aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se, e passar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios, virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não sabe e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes." (Mt. 24:45-51)
O trabalho do servo bom é ser cuidadoso e fiel com o que lhe foi confiado, para que sempre haja sustento (é o que o texto nos informa). E note que o comportamento do servo bom é sua rotina, seu dia a dia. Ele não está um servo fiel, ele é um servo fiel. É isso que Jesus quer nos dizer: vivam a vida de forma justa e fiel em todo tempo.

O servo infiel, por sua vez, é um beberrão, que maltrata os outros, que vive uma vida de dissolução. Ele faz isso, a princípio, por causa da "demora"; porém o que é visível é que, na verdade, ele não estava comprometido com seu senhor. Ele queria realmente era satisfazer os próprios desejos egocêntricos: "Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo." (Fp. 3:18)

Quando Jesus voltar, será revelado o que há de verdade no coração de todos, é o dia em que será separado o joio do trigo, de saber quem realmente buscou o reino do Senhor e quem estava buscando atender apenas seus próprios interesses. Para os crentes, isso é um processo de depuração, de revelar a nossa lealdade e limpar a terra do pecado.

E se estamos falando de limpeza do pecado, estamos falando de santidade: "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor," (Hb. 12:14). Viver em santidade é exercitar aquilo que Deus nos ordenou todos os dias. Está muito ligado ao que vimos na parábola das virgens em ter o azeite preparado, por exemplo.

A relação com Deus é cultivada todos os dias, não é algo esporádico. Isso está estreitamente ligado com o que vimos na parábola das virgens, sobre as néscias: não podemos negociar o essencial. Aquilo que é vital, aquilo que é realmente necessário. Gente, Deus não está só nos grandes momentos da vida! Deus está em cada pequeno aspecto do nosso dia a dia! É assim que cultivamos uma relação com Deus: percebendo que ele está ao nosso lado todo tempo e buscando sua presença.

E quando passamos a ver isso, fica fácil traduzir nossa fé em atitudes do dia a dia. Fica mais fácil atingir nosso propósito, quando Jesus diz: "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça;" (Jo. 15:16). Não estamos aqui a passeio, também temos trabalho a cumprir. Na parábola do servo bom e do mau, não apenas a atitude do servo, mas também o trabalho deveria ser cumprido, para que, quando o senhor retornasse, encontrasse tudo em bom estado.


Ao final de tantos estudos sobre escatologia, voltamos para onde começamos: não se deve estudar escatologia por mera curiosidade, é preciso realmente aprender. Um dos maiores problemas da igreja hoje é que se vive como se o mundo fosse nosso objetivo maior, esquece-se de para onde vamos, com quem viveremos, das marcas do fim dos tempos, das ideias e dos ideais que valem a pena ser estudados, defendidos, espalhados por todo o mundo.

Ter uma espera responsável é tudo aquilo que já vimos: conhecer o fim, saber dos seus sinais, permanecer firme mesmo em meio às provações, confiar plenamente em Jesus e saber que ele vem para nos buscar e nos dar uma vida totalmente diferente de tudo que imaginamos! Não precisamos ter medo do futuro ou das coisas que vão acontecer, pelo contrário, elas nos dão esperança!

Esperança da vinda de nosso Jesus e seu retorno triunfante; esperança do fim das tribulações, para viver num mundo totalmente livre do pecado; e, o melhor, esperança de viver eternamente na glória maravilhosa de Deus, desfrutando e glorificando para sempre a esse Deus eterno que nos deu muito mais do que poderíamos imaginar. Glórias pra sempre, Senhor! Glórias até o fim dos tempos e o começo da eternidade!
"Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!" (Ap. 22:20)
S.D.G.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Escatologia - A ressurreição e o juízo final

Fala pessoal! Este, a princípio, é o penúltimo post que farei sobre este assunto tão rico que é escatologia, o estudo dos últimos tempos. Não afirmo, nem de perto, que esgotamos o assunto, mas que tivemos uma boa caminhada e passamos por alguns dos tópicos mais abordados, isso acho que dá pra afirmar. O de hoje é um desse tipo. 

Um pequeno parêntese reflexivo. Iniciei esse blog em 2014 sem absolutamente pretensão nenhuma. Nunca fiz questão de que os posts fossem longe, tampouco fiz marketing do blog. Mas estou muito contente em ver que este espaço tem sido instrumento para dialogar com outras pessoas a respeito da Palavra. São ideias e ideais que valem a pena compartilhar. Sempre pensei, e continuo, que se apenas uma pessoa lesse o que escrevi e fosse abençoada... pronto. O blog já serviu seu propósito. Jamais imaginei que ele pudesse ter alcance tão longo. Que Deus te abençoe, leitor(a), que essas palavras possam fortalecer seu coração. Fim do parêntese reflexivo. Vamos ao estudo.

"Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus." (Jó 19:25-26)
"Na vida, só tenho certeza da morte". Já ouviram essa frase? Esta é uma triste verdade que ninguém  nessa terra pode negar. Apenas uma pessoa veio à terra e venceu a morte. Nosso salvador Jesus. Ele não evitou a morte, ele passou por ela. E venceu. 

Por isso, a morte para o cristão não é o fim. Não precisamos temer a morte, porque assim como Jesus ressuscitou e ele vive em nós, assim também a vida eterna está concedida a nós, por isso sabemos que a garantia da nossa vida está no fato de que Cristo vive, e podemos afirmar: "Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" (I Co. 15:55)

Mas não estamos aqui para falar da morte. Estamos aqui para lembrar da promessa que nos foi dada da ressurreição no dia final: "num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados." (I Co. 15:52)

Quando Lázaro morreu, sua irmã Marta estava inconsolável. Ele já estava doente, mandaram chamar Jesus, só que ele "demorou". Quando finalmente chegou na cidade de Lázaro, este já estava morto e sepultado há 4 dias. Marta aproximou-se de Jesus e disse que se ele estivesse ali, aquilo não teria acontecido, mas ao mesmo tempo declara que sabe que Jesus tem poder para salvá-lo. A resposta:
"Declarou-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir. Eu sei, replicou Marta, que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia." (Jo. 11:23-24)
Vejam que interessante! Nós sabemos que Jesus estava prestes a realizar um milagre e ressuscitar Lázaro, mesmo ele já estando morto e enterrado; mas Marta não sabia. Ela achava que Jesus estava falando da ressurreição final. Opa! Mas isso não é coisa do Apocalipse? Então como é que ela já sabia? Hum! 

Então é porque, como já vimos, a Escatologia não se resume ao Apocalipse, tampouco ao Novo Testamento. Em Isaías já temos essa promessa: "Os vossos mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho de vida, e a terra dará à luz os seus mortos." (Is. 26:19)

É por isso que quando Jesus afirma, no Sermão do Monte, que: "Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." (Jo. 6:44), sua divindade ficava tão evidente. Porque os judeus sabiam que aquilo era uma promessa dada pelo próprio Deus, já no Antigo Testamento. E Jesus vem para reforçar essa promessa e dar garantia de seu cumprimento.

Já vimos que não haverá dois "retornos" de Cristo (vimos nesse post), por isso, também não há que se falar em duas ressurreições. Jesus é bem claro ao afirmar que: "Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão:" (Jo. 5:28). Novamente, o texto bíblico fala de uma ressurreição e não "ressurreições", no plural: "tendo esperança em Deus, como também estes a têm, de que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos. (At. 24:15)

E aqui já começa a intersecção com o tema do juízo final. Não obstante haver já o senso comum de que há céu e inferno e são destinos diferentes, para pessoas diferentes, Paulo deixa bem claro qual é o contexto disso (o texto é meio longo, mas vale a pena):
"e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho)." (II Ts. 1:7-10)
Já falamos no último post que não temos que temer este momento, visto que Jesus já pagou o preço pelos nossos pecados. O que deve ser chamado à atenção aqui é que haverá uma única ressurreição final que incluirá a todos: justos e injustos. E neste momento é que virá o juízo.

Neste juízo, que não temos explicitação na Bíblia de como se dará, há alguns pontos que são certos. O primeiro é que todos comparecerão diante dele: "Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus." (Rm. 14:10)

Os salvos não terão seu destino decidido neste julgamento. Isso porque o seu destino já foi definido: "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus." (Rm. 8:1). Note no texto que Paulo escreve aos Romanos e inicia dizendo que agora, já não há condenação. Ele não diz que no futuro. Ele está dando a garantia de que desde já somos salvos e justificados por Cristo e seu sacrifício. 

Os crentes, portanto, serão julgados sim, mas pelos seus atos, o que está diretamente ligado ao seu galardão (o que também já estudamos aqui): "Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho." (I Co. 3:8)

O ato do juízo final, portanto, é regozijo para alguns e tristeza para outros. O profeta Daniel já falava desse dia no Antigo Testamento: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno." (Dn. 12:2). Quando isto acontecer e Deus julgar as pessoas: "Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve." (Ml. 3:18).

Antes que dúvidas e revoltas surjam contra esse julgamento, eu já vou deixando claro: Isso é justo! Total e puramente justo. Não há ato de maldade de Deus em julgar e condenar pessoas ao inferno. O que seria injusto é pecadores como nós recebermos a graça de termos uma vida eterna ao lado do nosso pai celeste. Isso sim seria injusto. É tão somente pela graça (um presente não merecido!) que podemos desfrutar desse presente e graças a Deus por isso! 

E, antes de discordarem de mim, lembrem-se que já estudamos isso antes. Nos posts de Apologética há vários em que isso é demonstrado, vou deixar o link de dois, é só clicar e ler. "Deus e as injustiças" e "Deus, fatalidades e tragédias". Os posts sobre a glória de Deus, em certa medida, ajudam a compreender também esse aspecto com certa profundidade -- especialmente para entender porque o inferno é horrível: é justamente porque lá não está presente a glória de Deus.

Voltando. Há um contraste, então, no momento da ressurreição: os salvos para a vida, os ímpios para a condenação. Na nova vida que é concedida ao cristão, também lhe será concedido um corpo glorificado. A ressurreição implica em viver eternamente diante de Deus e, como sabemos, Deus não pode ter comunhão com o pecado, simplesmente não dá. Portanto, para que nós possamos desfrutar da Sua presença com plenitude, Ele nos dá um novo corpo. Limpo, santo, livre do pecado.
"E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial." (I Co. 15:49) 
"Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas." (Fp. 3:20-21)
"Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é." (I Jo. 3:2b) 
"E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram." (Ap. 21:4)
Meu Deus! Quanta bênção que eu não mereço! Olha o contraste que há desse corpo glorificado com o meu atual. Quando eu nasci, lá em 1991, eu já comecei a morrer. Este corpo que agora tenho é fadado à morte, isto é algo do qual não escaparei. Por outro lado, com o corpo glorificado, eu vou nascer para viver

E justamente porque eu não vou mais morrer, então não tem mais necessidade de eu me reproduzir. É nesse contexto que deve ser lido e entendido o texto de Lucas quando Jesus diz: "mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento."

Nós não seremos anjos (já vimos isso extensivamente aqui, aqui e aqui), porque fomos criados homem e mulher (Gn. 1:27). Tampouco significa que não haverá amor. O que haverá é uma forma tão superior de amor, que o casamento já não fará mais sentido. O símbolo da união entre Cristo e a Igreja não será mais necessário, porque nós estaremos vivendo o fato e não o símbolo dele; além disso, sendo co-herdeiros com Cristo e filhos de Deus, a nossa família estará completa e será plena. Precisamos estudar a Bíblia à luz da própria Bíblia!

O mais magnífico da promessa do corpo glorificado é que a Bíblia fala que seremos semelhantes a Cristo! (Fp. 3:20-21, conforme lemos acima). Isto significa um corpo livre do pecado e tudo que isso implica: nossas emoções, racionalidade, desejos, comportamentos, nosso próprio modo de ser será totalmente diferente, porque finalmente estaremos limpos, livres do pecado, e plenamente capazes de amar, obedecer, e glorificar ao Senhor para todo o sempre! (O que, aliás, é a melhor coisa que poderia nos acontecer! Vide o que já estudamos aqui e aqui)


Há coisas na Bíblia que não claras, porque Deus assim escolheu não revelar. Mas há outras que podemos aprender. Aprendemos que a nossa história não é cíclica ou aleatória, ela tem um propósito, um fim. Vimos que a ressurreição será um evento único, tanto para crentes quanto ímpios. Neste momento também haverá juízo, o qual pode ser tanto para vida quanto para morte, a depender da relação pessoal com Cristo.

Disso depreendemos que o juízo é inevitável e virá para todos. Os salvos não estão excluídos de responsabilidade nesse dia, pois ainda terão que prestar contas das suas obras. Isto implica em uma vida moral e espiritualmente saudável, que reflita esse momento na vida do crente. O dia final é o dia que redime a história, onde haverá perfeita justiça sobre os homens. 

Por fim, temos a certeza de que tudo isso ocorrerá porque Cristo já cumpriu parte disso e já anunciou que o mesmo acontecerá com a gente. E podemos ver isso na Bíblia! Lembram daquele episódio de Lázaro e o diálogo de Jesus com Marta? Pois é. Nós vimos só um trecho do diálogo. Vocês sabem o que Jesus responde para Marta, quando ela achou que a ressurreição à qual ele se referia era a ressurreição final? Foi isso: 
"Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (Jo. 11:25)
Seja esse Jesus vosso guia e vossa luz.
S.D.G.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Escatologia - A volta de Cristo

Fala pessoal, estamos aí dando continuidade aos nossos estudos de escatologia, o estudo do fim dos tempos. Hoje vamos falar da volta de Cristo, um momento único em todo o cenário escatológico, e, aliás, para o qual apontam muitas promessas e seus cumprimentos. Vamos lá.
Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus. (Mt. 24:29-31)

A volta de alguém que amamos sempre é um momento ímpar. Quando alguém importante na nossa vida retorna de uma viagem e finalmente reencontramos essa pessoa... que grande alegria! Que grande bênção! 

Porém, como já falamos no começo desses estudos, parece que cada vez menos a igreja lembra da volta de Jesus, cada vez menos parece que a nossa verdadeira pátria está nos céus. Isso acontece porque cada vez mais nossos olhos estão sobre a terra e as coisas que ela contém. Porém tudo que há aqui é efêmero! A volta de Jesus marcará uma nova era, e (pelo menos deveria ser) é a grande razão da esperança em nós.

É importante deixar claro que a volta de Jesus não é uma metáfora ou um ato simbólico. A Bíblia nos ensina que assim como Jesus veio em carne, teve morte física e ressurreição, também seu retorno será literal. Porém há ainda muito sensacionalismo hollywoodyano no entendimento sobre o retorno de Jesus. Isso se dá, em grande parte, por conta do premilenismo dispensacionalista (que já estudamos aqui).

Nessa corrente escatológica, que (deixo claro desde já), entendemos que NÃO é uma perspectiva correta da interpretação bíblica, afirma-se que o retorno de Cristo se dará em duas etapas. A primeira seria a chamada "arrebatamento" e depois seria a sua "volta". Entre estes dois períodos, segundo essa corrente, haveria um intervalo de 7 anos, que seriam anos de tribulação, aparecimento do anticristo, perseguição e tal, e todo aquele contexto do Armagedom de Hollywood. Aí depois desse tempo é que Jesus voltaria de fato.

Não faz sentido bíblico, porém, que a igreja não esteja na terra durante a Grande Tribulação. No próprio sermão escatológico de Jesus ele afirma que: "Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados." (Mt. 24:22). Ora, se a tribulação teve que ser abreviada por conta dos eleitos, é porque eles claramente estarão nela!

Neste mesmo argumento, porque teria Paulo se dado ao trabalho de alertar os Tessalonicenses se eles não fossem passar pela Tribulação? "Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição" (II Ts. 1:3).

Sobre o fato de haver duas etapas, também não há base bíblica para afirmar isso. Em Atos, temos registrado a ascensão de Jesus da seguinte forma: "e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir." (At. 1:11). A ascensão de Jesus não foi em duas etapas, e não há base para afirmar que sua segunda vinda o será.

Um outro ponto que sempre ronda a ideia da vinda de Jesus é: quando? Muitos pseudo-analistas já tentaram prever essa data baseando-se em estudos numerológicos que nada provam, ou buscam afirmações em dados falsos para prever isso.

Mas a Bíblia nos aponta alguns sinais quanto a isso. Já estudamos na agenda escatológica de Jesus, por exemplo, que a segunda vinda se dará depois da apostasia e da Grande Tribulação, quando haverá a vinda do anticristo e a igreja passará por um período de grande perseguição. Não obstante, a Bíblia é muito clara em dizer que: "Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai." (Mt. 24:36)

Ainda que não tenhamos informações específicas sobre o "quando", temos alguns dados bem legais sobre o "como" Jesus voltará. Já vimos, no texto de Atos, que ele voltará do mesmo modo como subiu. Além disso, Cristo virá pessoalmente: "Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória." (Cl. 3:4)

A segunda vinda de Jesus será visível, não será secreta: "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram." (Ap. 1:7). Jesus virá em glória! Ele não tem porque se esconder ou fazer mistério. Quando ele veio a primeira vez, veio humilhado, assumiu a forma de servo para ser sacrificado. Agora ele retorna triunfante! Cheio de poder e graça: "Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores." (Ap. 19:16).

Jesus volta com objetivos específicos: "E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras." (Ap. 21:5). Jesus vem para finalmente realizar o juízo final e a ressurreição dos mortos, inaugurando um novo marco na realidade:
"Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras." (Ap. 20: 12-13)
Esse momento de julgamento, que é tão temido por muitos que estudam o Apocalipse, na verdade é momento de grande bênção e júbilo para os santos! Parece estranho, mas exemplifico de maneira figurativa: é porque quando Deus retirar do arquivo a folha com nossos pecados, enumerados, sem que nenhum falte, Ele vai olhar para aquela folha desprezível, para o ser humano asqueroso que cometeu aquilo tudo, vai descer os olhos pela página e lá no final vai ter um carimbo, um selo. Em sangue. Na forma de cruz.
"tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz;" (Cl. 2:14)


A volta de Cristo será um evento único, visível para todos, em que Cristo voltará em pessoa, para transformar a terra, julgar ímpios e eleitos. Essa grande verdade do evangelho deveria martelar nas nossas cabeças todos os dias! Precisamos lembrar de para quê estamos vivendo aqui na terra. Qual a esperança que te move? A nossa esperança está pautada pelas coisas da terra ou as do céu?
"Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro." Ap. 22:7). 
Nos ajuda a guardar a tua palavra, meu Senhor. Nos ajuda a sermos encontrados dignos, servos fieis, quando tu retornar. Ah! E Jesus... retorna, meu pai, retorna e livra-me do corpo dessa morte, para que eu possa, em plenitude, te adorar em espírito e em verdade! Seja nosso guia e nossa luz.
Maranata, vem Senhor Jesus!

S.D.G.

domingo, 12 de agosto de 2018

Escatologia - Missões e o fim do mundo: o que tem a ver?

Fala pessoal! Estamos de volta aí com mais um estudo sobre "Escatologia", o estudo do fim dos tempos. Já vimos que escatologia não é só o Apocalipse, mas que é um tema presente em toda a Bíblia. Além disso, falamos da Agenda Escatológica de Jesus, de temas que pareciam estranhos como a destruição do templo, a parábola da noiva, as diferentes correntes da escatologia; e também temas curiosos como o anticristo, o galardão e o número da besta

Como já mencionei antes, cada vez mais fico surpreso como a base do estudo desses temas escatológicos está na Agenda Escatológica de Jesus. Lá, Cristo deu um panorama do assunto e deixou revelado em outros textos algumas complementações (ainda que parcialmente, em alguns casos). E hoje, não surpreendentemente, vamos falar de outro ponto elencado por Jesus na sua agenda, que se resume nesse versículo:
E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. (Mt. 24:14)

O verso que lemos está no contexto do "princípio das dores". Conforme já estudamos, este será o tempo em que haverá grande crescimento da apostasia e ódio aos cristãos. É bem interessante que justamente nesses tempos é que haverá a pregação do evangelho a todas as nações e isso será um testemunho.

Em primeiro, cabe entender que o texto não está literalmente falando de absolutamente todas as pessoas, mas todas as nações. Isso quer dizer que não será necessário que todo ser humano ouça isso para que se cumpra a promessa de Jesus. O que ele está querendo dizer é que todos terão a oportunidade de, em algum momento, ouvir do Evangelho: aceitação ou recusa não tem a ver com a promessa em si, já faz parte de outro contexto.

Novamente, o texto não está dizendo que todos, absolutamente, ouvirão falar de Jesus, mas sim que ele se tornará uma realidade que não poderá se dizer: "Jesus? Nunca ouvi esse nome antes." Ou seja, é um contexto em que não se poderá dizer que não se teve a chance. Isso implica ainda que não haverá uma "segunda chance": agora é a hora de conhecer a Cristo.

Como já estudamos também, a promessa de que o evangelho seria espalhado não é única do Novo Testamento, já em Gênesis, por exemplo, isso é parte da promessa a Abrão: "Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra." (Gn. 12:3). O que se torna mais evidente essa bênção no Novo Testamento é simplesmente o cumprimento claro disso com o evangelho e os gentios.

Essa expansão do evangelho tem uma relevância escatológica importante porque está dentro do contexto da restrição de Satanás:
Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo.(Ap. 20:1-3)
Não vamos falar aqui do que significa esses mil anos (já estudamos disso!), basta lembrar que o milênio é um período figurativo (não literal) que começou com a primeira vinda de Cristo. Quando ele veio, inaugurou sua vitória sobre Satanás também; é o que menciona nesses textos, falando aso discípulos:
Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago. (Lc. 10:17-18)
Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.(Jo. 12:31-32)
Essa vitória de Jesus se traduz na restrição da ação de Satanás neste mundo. Ainda que muito poderoso e influente, Satanás não consegue extinguir a Igreja do Senhor, a instituição missionária que prega a Cristo, simplesmente não pode, porque Jesus garantiu a nossa segurança. E por isso também nós devemos pregar ousadamente a respeito de Cristo.


A pregação do Evangelho, é, por fim, a grande marca do período entre a primeira e a segunda vinda de Jesus. Veja que no Antigo Testamento e mesmo no Novo Testamento, o evangelho de Deus era pregado. Mas nunca como agora o evangelho foi tão pregado, tão disseminado, e tão mais a Igreja deve se fortalecer para cumprir a Palavra, fazendo dos nossos tempos uma grande era missionária. Basta lembrar da última ordem de Jesus antes de partir: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura." (Mc. 16:15)

Depois que Jesus ascendeu aos céus, a marca da Igreja deve ser, portanto, a pregação da palavra. Isso fica evidente na visão de João, durante o Apocalipse: "e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação." (Ap. 5:9)

O fato da Bíblia apontar para diferentes tribos, línguas, povos, etc, demonstra que a pregação do evangelho deve ser feito de modo inteligível, para que todos possam entender. Essa pregação não se dá somente pelo falar em determinado idioma, mas também em viver essa pregação por meio do testemunho, demonstrando com ações e palavras quem é Deus, para todas as etnias e povos.

Além disso, reparem no texto bíblico de Apocalipse, onde fala que haverá, entre os eleitos no céu, aqueles que procedem de toda tribo, língua, povo e nação. Mais uma vez demonstrando que não necessariamente todas as pessoas estarão ali naquele dia. A salvação, no final das contas, pertence somente: "e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro pertence a salvação." (Ap. 7:10)

Portanto, missões, no sentido de pregar o evangelho, deve ser a marca do período que estamos vivendo. A pregação do evangelho é um sinal de graça de Deus, uma oportunidade que até os anjos quiseram! Jesus disse que esse evangelho será pregado a todo mundo, então virá o fim. A igreja deve, portanto, se esforçar ao máximo para cumprir logo seu papel e para que a promessa de Jesus se cumpra logo.

Sim! Porque é isso que queremos! Queremos a volta do nosso Senhor Jesus! Queremos viver plenamente na glorificação do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Me ajuda, Senhor, a cumprir teus mandamentos, me ajuda a proclamar teu reino nessa terra, me ajuda a ser luz em meios às trevas, para que o mundo possa ver quem tu és, para que meu Senhor Jesus volte.

Maranata, vem Senhor Jesus!
Seja nosso guia e nossa luz,

S.D.G.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Escatologia - 666

Fala, pessoal! Que caminhada já tivemos até aqui, né? Vimos um bocado de coisas. Algo que tem me chamado a atenção é como tudo isso deriva da Agenda Escatológica de Jesus e como aqueles posts deram uma base importante para aprofundar os diversos temas que surgem na Escatologia. Hoje vamos falar de outro tema hollywoodiano, mas que pouco tem a ver com os filmes: o número da besta.

Antes de prosseguir, deixe-me falar a mesma coisa que falei no post do anticristo: se você busca o sensacionalismo, vai se decepcionar. Esse post não é pra nutrir falsas expectativas. Você pode chegar aqui cheio de curiosidade e descobrir que não era nada do que estava pensando, justamente porque criou expectativas não baseadas na Bíblia, necessariamente. Dei o alerta, hein? Vamos lá.



Você foi no supermercado e viu que o preço do alimento era R$ 6,66. Eita! Alguém ligou pra você e o final do número era 666. Eita! Você tem um arquivo no computador com exatamente 666kb. Eita! Ou pior, você mora numa casa (ou conhece uma) cujo número é 666! Eita! Que número temível é esse? De onde vem toda a história sobre o 666? Comecemos com o texto bíblico:
"Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis." (Ap. 13:18)
Primeiro vamos lembrar do contexto no qual esse texto está inserido. Em Apocalipse 13 vemos a emergência da besta da terra e a do mar. Esses dois são símbolos de grande perseguição contra a igreja e tem um significado tanto político quanto religioso (já vimos isso extensivamente nesse post -- estou partindo do pressuposto o post foi lido, para não ficar repetindo coisas). Há livros, filmes, posts, uma torrente de teorias sobre esse número e seu significado, porém, isso não é claramente revelado na Bíblia.

Em primeiro, creio que o básico é: isso não é um número literal. Ou seja, não estamos falando aqui exatamente do número seiscentos e sessenta e seis. Por certo que depois do 665 e antes do 667 vem o 666 como em qualquer conta de matemática, qualquer enumeração e por aí vai. A Escatologia não está abordando o numeral em si, mas o que ele representa. Tá, mas então o que esse 666 representa?

Pois é. Eis a questão. Pelo que pesquisei, as interpretações oscilam entre duas possibilidades: o 666 é a trindade da imperfeição (vou explicar depois) ou é uma referência a o império romano e seu domínio, em especial na pessoa de Nero (também vamos ver isso com calma). Vamos começar falando dessa segunda hipótese.


Os alfabetos antigos tinham diferentes funções. Em muitos casos, as letras também funcionavam como números: são os famosos números romanos, por exemplo (I =1, V=5, X=10, etc.). Isso também ocorria no idioma judaico e era chamado de "gematria". Várias outras civilizações antigas tinham esse sistema também; há um muito conhecido caso de Pompeia, onde arqueólogos encontraram uma inscrição que dizia "Eu amo aquela cujo número é 545", uma maneira de criptografar o nome da "crush".

Assim, quando João faz uso de um numeral pra se referir a uma pessoa, os leitores entendiam ao que ele estava se referindo. Naturalmente, portanto, João não escreveria esse número a esmo, mas o faria de uma forma que pudesse ser entendido e que fosse também um alerta para os cristãos, de modo que fosse algo relevante para eles. São esses os pressupostos dos estudiosos da abordagem geométrica que apontam que o imperador Nero seria o 666.

Em primeiro, devo alertar que, se você for criativo, consegue fazer tudo se encaixar no 666: Hitler, Mussolini, Mãe Joana. É tudo jogo da mente. Durante séculos muitos estudiosos têm tentando apontar e provar que o 666 refere-se a uma pessoa específica. Por isso, é importante pra essa vertente que seja uma realidade contemporânea de João, pra fazer sentido aos leitores: que seria o terrível imperador Nero.

Mas e quanto à variante 616? Em algumas bíblias você pode encontrar que há textos que mencionam 616 em vez de 666. Isso não foi erro de grafia, mas uma adaptação a outro idioma. Enquanto o original escrito por João trazia em seu contexto o peso do "666" para os leitores, conforme o texto foi sendo traduzido para o grego, era preciso adaptar a gematria ao novo idioma, para que ele também fizesse sentido aos leitores gentios. Isso claramente apontaria que Nero era realmente o nome indicado por aqueles números.

Há algumas objeções a essa teoria. Em primeiro, que os pais da igreja não faziam referência a Nero quando abordavam o número 666; ora, se isso já era tangente, porque não foi tratado como dogma? Por segundo, é que ainda que João escrevesse o texto em grego, pensava em hebraico. Qualquer um que fala ou escreve em outro idioma sabe o problema disso: o tradutor não apenas traduz o sentido literal das palavras, mas precisa traduzir o significado contido no outro idioma.

Não obstante, há alguns argumentos fortes para o significado do 666 como "Nero". Veja, por exemplo, que nos textos que se referem à "marca da besta", que estão logo antes de falar do 666:
A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome. (Ap. 13:6-7)
No contexto bíblico, a mão direita aponta para nossas ações, nossas atitudes, enquanto a fronte (ou a testa) apresenta a nossa volição, nossa vontade, nosso desejo de fazer as coisas. A marca da besta não deve ser tomada num sentido literal -- e tampouco poderá alguém ser marcado contra sua vontade: a marca da besta está intimamente relacionado ao desejo das pessoas em servir à besta e compartilhar de suas ideias. Não é uma imposição, é um ato voluntário das pessoas.

"Tá, tudo bem, mas e quanto a não poder comprar ou vender sem ter a marca?". É aqui que entra o argumento a favor de que o 666 estivesse se referindo a Nero. Nos tempos de João, os contratos de compra e venda precisavam ter um selo imperial para que tivessem validade, ou seja, a compra só poderia ser realizada se tivesse a "marca" do governo imperial.

Além disso, naqueles tempos, após uma adoração nos templos, o pagão obtinha um certificado que garantia que ele foi lá e realizou seu sacrifício. A partir desse momento, o cidadão era catalogado como adorador de César e negador de Cristo; com isso em mãos, eles tinham uma espécie de seguro para poder comercializar e não serem perseguidos. Assim, a marca tornava-se algo patente no dia a dia das pessoas.

Em um parêntese: o uso de marcas não é algo exclusive de Nero, era sim uma prática comum até mesmo no Antigo Testamento. Por exemplo, o escravo que escolhia continuar com seu dono após a libertação era marcado com um furo na orelha (Ex. 21:5-6), ou então soldados que marcavam em seu corpo algum símbolo que fazia referência a seu general ou nação que serviam.

De qualquer forma, a marca aqui pode apontar para Nero como sendo o detentor do significado do 666, visto que há argumentos que mostram que até mesmo a sua "marca" estaria relacionado com essa simbologia e apontaria para seu poderio e domínio sobre o mundo naquela época.


Por fim, o outro argumento para o significado do 666 está no simbolismo dos números no livro de Apocalipse. A Trindade Santa (333), o Deus perfeito (número 7 e os sete selos sempre sendo apresentados), todos eles apontam para significados na cultura judaica.

A outra vertente de interpretação do 666 afirma que o número não é explícito, ou seja, ele não aponta exatamente para uma pessoa, mas aponta para uma figuração que tem ligação com o número 6, repetido três vezes.

Durante a história do povo de Israel, o número 12 teve uma significância pra demonstrar a ideia de completude: as 12 tribos, os 12 apóstolos, etc. Se colocarmos o 666 no contexto do verso que vem logo a seguir, isso aponta para um contraste. Veja, o capítulo 13 de Apocalipse termina com o verso 18 (que é o 666), e o capítulo 14 começa assim:
Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, tendo na fronte escrito o seu nome e o nome de seu Pai. 
Se elevarmos 12 ao quadrado (12x12), chegaremos em 144. Colocar 12 ao quadrado já é um simbolismo de algo muito completo para o judeu. Quando se fala de 144.000, então! Nossa! Isso é tão completo que a pessoa mal pode mensurar! Numa época onde não se lidava com grandes números (não havia produção industrial ou comércio em larga escala), falar de centenas de milhares é algo totalmente sensacional.

Em outro parêntese: culturas que não lidam com grandes quantidades não têm relativos para eles em suas numerações. Por exemplo, em algumas culturas indígenas (falo por experiência, cheguei a pagar uma matéria disso na UFRR), no idioma tradicional das tribos se contava apenas com os dedos das mãos: o que passasse disso era chamado "muitos". Então às vezes se contava: 1, 2, 3, 4, 5, muitos.

Assim, quando voltamos a pensar nos números 666 e 144.000, há um contraste na escrita de João. Ele fala de um número completo, tão completo que mal se pode mensurar. E logo antes dele fala de um número que é "quase" perfeito. Isso pode ser visto na descrição dos selos, das trombetas e das taças.

A abertura do sexto selo (Ap. 6:12-17) apresenta uma visão de grande catástrofe, ao ponto que apenas o sétimo selo vem para dar conclusão a ele (Ap. 8:1-6). Os 7 selos, então são seguidos das trombetas. No clamor da sexta trombeta (Ap. 9:13-21) vem uma grande catástrofe sobre a terra, dizimando muitas pessoas e aumentando ainda mais a apostasia (endurecimento do coração para Deus); o clamor da sétima trombeta, por sua vez (Ap. 11:15-19) traz o reinado de Cristo, que põe fim às mazelas da sexta trombeta. O ciclo é sempre completado pelo 7º elemento, que é Jesus.

Essa ideia de ciclo fica ainda mais latente quando vemos os flagelos (que são as taças sendo derramadas). Em Ap. 15:5-8, João descreve 7 anjos, cada um com uma taça, todas elas "cheias da cólera de Deus" (vs. 7). No ciclo dos flagelos que cada taça traz, é o sexto flagelo que fala até da palavra "Armagedom", apontando pra grande destruição. Quando chega o sétimo, a ideia de completude fica evidente: "Então, derramou o sétimo anjo a sua taça pelo ar, e saiu grande voz do santuário, do lado do trono, dizendo: Feito está!" (Ap. 16:17)

Assim, o número 7 aponta para completude, para o fim do ciclo, para a resolução. Por consequência o número 6 é o "quase", é aquilo que tenta chegar à perfeição, mas não chega, precisa do sétimo. E isso é reforçado pela repetição. Por exemplo, a Bíblia fala várias vezes que Deus é "Santo, Santo, Santo", três vezes, para destacar a ideia de completude. Quando João, portanto, fala em "666", é como se ele dissesse: "Incompleto, incompleto, incompleto", a trindade da imperfeição.

Nessa corrente de interpretação, o que João está querendo dizer é que virá a besta (ou o anticristo) e, quando ele vier, tentará ao máximo ser como Cristo, tentará ser perfeito, tentará ao máximo ocupar o lugar do Sétimo, ou seja, será realmente o falso Cristo. O problema é que o 6 não é o 7, então mesmo que tente, ele nunca conseguirá ocupar o lugar que é de Jesus.


E agora? Qual é a resposta? O "666" se refere a quê, afinal de contas? Seria uma referência Nero, o terrível imperador que perseguia e matava os cristãos? Estaria João alertando os novos convertidos a cuidarem com o império romano, que com certeza os perseguiria e traria grande destruição? Ou estaria João demonstrando que haveria de vir algo ou alguém que se apresentaria como "quase perfeito"? Que tentaria ocupar o lugar de Cristo mas que ulteriormente não conseguiria?

São mais perguntas que respostas. E claramente não há resposta clara na Bíblia. Logo, o que tiramos disso? Tiramos que a Bíblia não quer revelar algo que talvez não seja tão relevante pra nossa carreira cristã. Escatologia não tem todas as respostas, porque não está aqui para satisfazer a curiosidade! Esses estudos servem para nos preparar, para apontar o caminho que devemos seguir.

Atualmente, entender o 666 é importante para não cairmos nas falácias sensacionalistas, seja dos filmes, seja dos diversos anticristos espalhados por aí (já falamos sobre isso, não se assustem). Quando o significado disso for revelado, com certeza saberemos o seu significado, porque Deus escolheu nos revelar parcialmente, para que estejamos preparados e nos apeguemos cada vez mais à Verdade e lutemos por ela, especialmente quando chegarem os dias difíceis!

Que vivamos uma vida de estudo da Palavra, para não sermos levados pelos ventos de doutrina errôneos que estão por aí e aqueles que ainda virão.
Seja Deus nosso guia e nossa luz!

S. D. G.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Escatologia - A Grande Tribulação

Olá, pessoal! Vamos continuar estudando Escatologia e falar deste outro tema hollywoodiano: a Grande Tribulação. Intrínseca à história do anticristo, esta temática é bem turva e muito complicada de abordar visto as diferentes correntes escatológicas que interpretam o tema. Essa é uma importante advertência antes de iniciarmos nosso estudo, pois há muitas disparidades e nem tudo é revelado claramente a respeito desse tema. Vamos lá.


"porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais." (Mt. 24:21)
Vamos começar falando dos nossos pressupostos. Visto que estamos diante de uma diversidade de correntes, e cada uma tem uma abordagem sobre o tema, vamos tentar esclarecer nossas bases. Nós não entendemos que a Grande Tribulação (GT) é um evento que está no passado. Isto é evidente dentro da corrente posmilenista, para quem a GT aconteceu na destruição do templo.

Para eles, a GT foi um evento único vinculado àquele momento e não se repetirá. No seu ponto de vista, a Igreja crescerá cada vez mais, conforme as pessoas forem vendo que só o cristianismo oferece uma base social, política e econômica boa o suficiente para sustentar o mundo. Ainda que creia na capacidade transformadora do evangelho para o mundo, creio também que no mundo ainda "passaremos por aflições" e as coisas irão piorar.

Também não entendemos que esteja correta a abordagem premilenista quando afirma que a igreja não passará pela GT. Ora, porque então Jesus constantemente nos prepara para isso? E porque somente os ímpios sofreriam essa tribulação, visto que eles já têm a tribulação maior, que é viver sem Deus no coração? Por isso, entendemos que a igreja estará na GT e ela ainda acontecerá. É o que Paulo afirma: "Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos." (II Tm. 3:12)

Porém, antes de pensarmos especificamente na "Grande" tribulação, devemos lembrar que "tribulação", "aflição" e "provação" são aspectos cotidianos da vida cristã. Todos nós enfrentamos sofrimento na vida e passamos por algum momento de tribulação, não há como viver nesta terra sem passar por isso. Na agenda escatológica de Jesus, porém, vimos que haverá um momento em que a tribulação da igreja será maior que em outros períodos.

Assim como o anticristo tem como precedente vários anticristos, também a Grande Tribulação tem como exemplo essas diversas tribulações pelas quais passamos e que nos ajudam a crescer na vida cristã, conforme Paulo ensina: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação." (II Co. 4:17).

Quando pensamos em "tribulação", seja ela grande ou pequena, já pensamos que isso não é algo pelo qual ninguém deseja passar. A solução mais comum é fugir do problema ao invés de enfrentá-lo. Porém, como cristãos, "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." (Rm. 8:28), e é por isso que nós enfrentamos nossas provações: pra que elas cumpram o propósito dado por Deus em nossas vidas.

Na vida cristã, momentos de tribulação devem ser vistos como momentos para desenvolver a nossa fé. O meu texto favorito sobre isto é de Tiago:
"Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes." (Tg. 1:2-4)
É evidente que a tribulação em si não será motivo de alegria, mas o passar por ela gera resultado na vida do cristão, e isso sim é motivo de contentamento: "Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam." (Tg. 1:12)

O contexto da igreja primitiva era de constante tribulação: eles não eram aceitos pelos judeus (sua casa) e eram explorados pelos gentios (contexto político-econômico de sua época). Pedro os encoraja nessa situação: "Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. [...] mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome." (I Pe. 4:14, 16)

Logo, fica evidente que há uma relação estreita entre as provações (que não é o mesmo que "tentações" - podemos falar disso em momento oportuno) e o fortalecimento da nossa fé. A tribulação vem para trazer esse aperfeiçoamento. Por isso que quando o cristão reconhece isso e passa por esse momento, ele pode sentir alegria por ter enfrentado isso.

Por conta disso, é fácil entender que a história da igreja é permeada por uma história de perseguição. Não é segredo pra ninguém que no Coliseu, em Roma, muitos cristãos foram mortos por causa da sua fé.

Esse sofrimento não tem somente efeito interno (aumentar a fé), mas também tem um importante efeito externo: testemunho. A disposição em sofrer demonstra o amor do crente para com Cristo: "Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo" (Fp. 3:8). Tudo o que suportamos pelo amor de Cristo revela o nosso amor para com ele!

Agora podemos, enfim, voltar nossos olhos para a "Grande" tribulação, que está citada no texto que abriu nosso post (Mt. 24:21). Como já mencionei, há divergências sobre quando ela ocorrerá e de que maneira. Não obstante, vamos tentar extrair do texto bíblico o que há para aprender sobre este tema.

O primeiro ponto a abordar é que a grande tribulação será um evento que atingirá todo o mundo. Isto não significa, porém, que vai acontecer no mundo todo ao mesmo tempo (esqueçam Hollywood!). Lembrem-se do que estudamos nos posts sobre o anticristo: a tribulação não será no estilo "apocalipse zumbi", ela será algo que muitos sequer considerarão como perseguição! Pensem claramente, meus caros, é aquilo que mencionei no outro post: se tudo for descarado como os filmes montam, isso só confirmaria a Bíblia e fortaleceria o argumento cristão! Mas será justamente o contrário nos tempos da tribulação: ninguém dará crédito ao cristianismo.

Também, há uma intensa discussão entre comentaristas sobre a tribulação ser algo local ou global. Seu principal argumento está no fato de que a vinda de Jesus foi um evento local, mas que gerou impactos globais. Isto faz bastante sentido, porém numa era globalizada, faz também muito sentido que a Grande Tribulação seja uma série de intensas tribulações em diferentes lugares do mundo. Olha o texto:
"Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; [...]
Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro," (Ap. 7:9, 13-14)
O que importa, mais do que saber sobre os impactos globais da GT, é que a igreja no mundo inteiro sofrerá e passará por ela, não haverá para onde fugir. Este será o grande momento de provar a nossa fé: "Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra." (Ap. 3:10)

Por outro lado, enquanto a GT será um período de grande provação para a igreja, também será um período para sua santificação, ou seja, sua purificação e aprimoramento. No texto já citado de Ap. 7:13-14, os que passaram pela GT tiveram suas vestes lavadas e alvejadas por Cristo. Assim como as provações do nosso dia a dia levam ao aperfeiçoamento, uma grande tribulação levará a um grande aperfeiçoamento.

E isto, claro, também é bíblico. Como já vimos, o verdadeiro cristão se regozija nisso e sabe que é Deus quem está no comando e provendo que aquela situação aconteça: "Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos." (Sl. 119:71). No texto de Apocalipse, os santos aparecem com vestiduras brancas, isso lembra também o que Paulo ensina de "despir-se do velho homem" e ser renovado, tornado uma nova criatura em Cristo.

O ponto principal sobre a GT, porém, por incrível que pareça, não é o sofrimento que ela traz! Assim como o foco das provações do dia a dia não devem ser elas mesmas, mas o resultado que elas trazem e o que elas prefiguram: o anúncio de um novo tempo! Jesus, na sua agenda escatológica, não está meramente alertando os discípulos sobre este período de provação, mas também está construindo uma perspectiva de esperança par ao futuro!
"Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.
Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.
E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus." 
(Mt. 24:29-31)
Todas as nossas tribulações, e em especial a Grande, devem ser vividas com essa esperança: que Jesus voltará e nos libertará de todas as provações de uma vez por todas! Este é o ápice da agenda escatológica de Jesus! Pode ser repetitivo nós voltarmos neste ponto que já estudamos em posts anteriores, mas é justamente ESTE o ponto mais importante!

Quando tudo parecer perdido, quando a tribulação parecer mais desgastante, é aí que a igreja mais tem que acreditar que será salva por Cristo. Ele prometeu a vitória final. Esta é a segurança que as Escrituras trazem para nossa vida. Essa vitória de Cristo também marca o fim de uma série de acontecimentos.

É o fim do processo de santificação. A igreja (nós!) finalmente estará santificada e, por consequência, glorificada. A nossa batalha neste mundo não é contra a GT ou o Anticristo e sim contra o pecado! "Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta," (Hb. 12:1)

Quando, no texto de Apocalipse que lemos, o ancião pergunta quem eram aqueles de vestiduras brancas, a resposta aponta para quem lavou aquelas pessoas dos seus pecados, para que pudessem se apresentar puras diante de Deus, fortalecidas especialmente por causa da GT. Assim como em toda a Bíblia, também no dia final a vitória sobre o pecado é a vitória de Cristo na cruz.

É o fim da tristeza, da dor. E da morte. Quando Jesus voltar e der fim à Grande Tribulação, também dará fim a todo e qualquer tipo de sofrimento. Já vimos esse texto em posts anteriores: "E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram." (Ap. 21:4)

Essa palavra de alívio é mais uma fonte de esperança para que suportemos os tempos de tribulação, testemunhando fielmente do amor de Deus e seu poder, para que sejamos encontrados fieis quando ele retornar para nos levar para casa. E neste momento é finalmente alterada toda a realidade da circunstância da vida humana.

No Éden a morte veio como uma certeza para todo ser humano, como resultado do pecado. Na GT será o ápice da "morte" e seu poder. Isso não significa apenas a morte física, mas também a espiritual, a separação de Deus, a maldade do coração do homem reinando como nunca antes. Porém quando Jesus volta, ele nos conduz às fontes da vida eterna: "pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima." (Ap. 7:17)


No final de tudo, a história da Grande Tribulação não tem a ver como o sofrimento ou perseguição, que tanto os filmes querem enfatizar. A história da GT é uma história de redenção, de libertação definitiva do pecado. É uma história de esperança. Parece loucura, mas é exatamente o que o texto bíblico quer nos demonstrar.

A igreja sempre quer ver a GT baseada numa percepção negativa. Nós devemos lembrar que Deus é quem está no comando e é Ele que nos permite passar por momentos assim. O clímax da história não é o poder do anticristo ou da perseguição durante a GT, mas é o retorno de Jesus, para reinar para sempre sobre tudo e todos!

A visão dos problemas e dores que a GT trouxer tem que estar subjugada à visão do poder de Cristo e da sua grande vitória. E o mais incrível. A vitória de Cristo é também a nossa vitória: "Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou." (Rm. 8:37). Que Deus maravilhoso é esse! Que nos concede vitória por meio de Jesus Cristo, nosso salvador!

Como somos imerecedores deste tão grandioso amor! Oh, Deus, me ajuda a ser um servo fiel aqui nessa terra, me ajuda a aguardar o retorno de Cristo suportando as aflições do mundo com olhos da fé, crescendo com as provações que o Senhor me permitir passar, frutificando e testemunhando do teu amor para todo o mundo ver, sim, para todos verem que Jesus Cristo é o nosso salvador. Seja meu guia e minha luz!

Maranata! Vem, Senhor Jesus!

S.D.G.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Escatologia - O anticristo II

Fala pessoal! Estamos de volta, continuando a estudar Escatologia, o estudo dos "últimos tempos". Já vimos um tantinho de coisa, que pode ser verificada nesse link aqui. No último post começamos a falar do tal anticristo. Vimos suas principais estratégias, vimos como a igreja deve se portar diante dele e, principalmente, do espírito do anticristo, ou daqueles que se comportam tal como ele. No post de hoje vamos abordar mais especificamente a identidade do anticristo.   

Temos dois textos um pouco grandes que são importantes para abordar, ambos em Apocalipse 13. Então, bear with me, o primeiro é sobre a "besta que emerge do mar": 
Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de blasfêmia. A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade. 
Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou, seguindo a besta; e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela? 
Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses; e abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu. Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse. 
Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Se alguém tem ouvidos, ouça. (Ap. 13:1-9)

Em primeiro lugar, se você veio aqui para saber quem é o anticristo, se você veio aqui para saber se ele já está entre nós, se você veio aqui para saber onde ele está ou ainda quanto tempo até ele se manifestar, bom... você vai se decepcionar. As respostas que você procura não estão na Bíblia, estão nos filmes de Hollywood, nas séries do Netflix, nos livros de ficção e terror. Quase nada do que se tem aí na mídia se aproveita. Aqui temos que pensar biblicamente sobre essa figura.

Já vimos no post anterior que todos que negam Jesus e seu papel são anticristos, eles carregam em si o desvirtuamento da verdade, colocando-se no lugar de Jesus (seja como intermediador entre Deus e homens, seja como agente da salvação das pessoas) e fazem isso com um falar que agrada os ouvidos daqueles que não temem realmente a Deus. 

Quando falamos da agenda escatológica de Jesus e também quando expomos as diferentes correntes da escatologia, destacamos que, para muitos, o anticristo não é uma pessoa, mas sim uma ideologia ou uma instituição. Isso faz bastante sentido quando pensamos em seitas ou religiões modernas que buscam desvirtuar a verdade, bem como trocar o lugar de Cristo por algum substituto. 

Também várias ideologias cumprem esse papel. No Marxismo, por exemplo, a religião é entendida como o "ópio do povo", por isso, sendo uma ideologia essencialmente ateísta, faz sentido que ela não dê a Cristo seu devido lugar, bem como desvirtue a Bíblia para atender seus propósitos. Em termos mais simples, também o Evolucionismo tem esse papel, visto que tira o papel do Deus Criador e, por consequência, todo o plano de salvação que Ele estabeleceu.

Mas será que haverá um único indivíduo que concentrará tudo isso? Que será uma espécie de ápice da ideia do Anticristo? Isso não é totalmente claro nas Escrituras. Há autores que defendem que a ideia do anticristo seria um movimento político-ideológico-social, enquanto outros são ferrenhos em dizer que é uma pessoa específica. Não vejo razão para que não analisemos os dois lados da moeda.

Para alguns o anticristo deverá ser um homem, tal como Cristo foi. E justamente por ser homem haveria várias semelhanças com a história de Cristo. Ele seria a "besta que emerge do mar". Na descrição da besta que emerge do mar, ela sofre um golpe fatal, mas sobrevive (verso 3), o que já traz uma quase-semelhança à ressurreição de Cristo. 

No nosso texto inicial vemos os chifres e as muitas cabeças: no contexto bíblico, os chifres estão relacionados a poder político e as muitas cabeças são as ramificações desse poder (à luz de Daniel 7, por exemplo). É daí que muitos argumentam que seria um importante líder político. Mas com certeza também deveria ser um líder eclesiástico, visto que a principal característica do Anticristo é tirar o lugar de Cristo. Isso é corroborado pelo texto bíblico (o outro texto grande do qual falei. Bear with me.):
Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão. Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada. 
Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens. Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada, sobreviveu; 
e lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da besta, para que não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta. (Ap. 13:11-15)
Espero que ninguém tenha dúvida que esses textos não devem ser interpretados literalmente, né?. Não haverá um monstro mítico que emergirá da terra ou do mar e serão adorados: o texto bíblico está dando indicativos e símbolos que apontam para aqueles que exercerão esse papel. Neste trecho, e à luz de Apocalipse 12, também, os personagens da nossa história são: dragão (Satanás), a mulher (igreja), o filho varão da mulher (Cristo), a besta que emerge do mar (o Anticristo) e a besta que emerge da terra (uma espécie de profeta do Anticristo).

Aqui cabe uma importante questão: o Papa é/será o Anticristo? Eita, outra pergunta hollywoodiana, né? Os escritores adoram essa teoria. E ela se encaixa tão bem! É um homem com poder político e eclesiástico, dá pra fazer uma ótima história! Só que não é isso que o texto bíblico aponta, necessariamente. 

O Papa é um anticristo, mas assim são também todos os outros líderes de seitas carismáticas, por exemplo: todo aquele que se diz ser intermediador entre Deus e homens ou que criam diferentes formatos e mecanismos para "se achegar" a Deus, que não aqueles descritos na sua Escritura. Entram aí, além do Papa, diversas outras pessoas que ocupam esse lugar. Os pais da Reforma Protestante chamaram o Papa de Anticristo justamente por isso, porque ele se dizia detentor de um lugar que na verdade pertencia somente a Cristo. Gente, esqueçam Hollywood.

É a corrente dispensacionalista que mais contribui para esse tipo de perspectiva. Alguns autores dessa teoria afirmam não somente que o Anticristo é um homem, mas que ele está vivo hoje e atuando entre nós, esperando apenas o momento de emergir (uhh... que filme legal!). Há autores que datam da década de 1960, afirmando até o dia que a criança ia nascer. 

O Anticristo em muitas correntes já foi Hitler, Winston Churchill, Gorbachev, Bush, e agora, o da vez: Trump. Esse tipo de afirmativa não vem de hoje, já no século IV (+/- 397 d.C.), o monge Martinho de Tours afirmava não apenas que o Anticristo iria vir, mas que (já naquele tempo) ele "estava entre nós".

Esse tipo de afirmação sensacionalista serve apenas sabe para quê? Curiosidade e mistério. Duas coisas pelas quais a Escatologia não deve se interessar nadinha. O estudo dos últimos tempos não é para trazer misticismo ao Cristianismo! Não deve apontar para um lugar no futuro onde coisas terríveis irão acontecer! É justamente o contrário! Escatologia serve para apontar para o agora, olhando para o futuro. É assim que devemos viver a vida cristã!

O outro lado da moeda é que o anticristo na verdade seja um movimento, apoiado, por exemplo, por uma instituição. Isso pra mim faz bastante sentido, ainda que não satisfaça totalmente o argumento.

Por um lado, a ideia que o Anticristo fosse uma pessoa me parece meio óbvia demais. Quero dizer com isso que na hora que uma figura dessa surgisse, só daria mais força para o argumento bíblico! A gente parte do pressuposto que a humanidade seria totalmente cega, que sofreria uma lavagem cerebral total. Mas isso é muito ficção! Não dá pra imaginar que absolutamente todos ficariam cegos. E estou falando até de não-cristãos.

Na Alemanha nazista de Hitler, muitos acreditavam que a sociedade alemã aceitava os abusos de Hitler para com os judeus porque o ditador tinha um forte esquema de propaganda que mascarava a verdade dos cidadãos. Mas hoje a literatura e a ciência mostram que isso não é totalmente verdade. Ainda que houvesse aqueles enganados por Hitler, havia uma boa parte da população que sabia o que estava acontecendo, mas não fazia nada a respeito.

Na hora que uma pessoa com tamanha autoridade e poder surgisse, os cristãos poderiam afirmar: "Viu só?! Eu falei! Olha aqui, tá na Bíblia!" e, de repente, o texto bíblico passaria a ter mais força. Ok. Ok. Eu sei que muitos estão pensando que isso é contornável, que ainda é possível enganar. Mas não sei se esse pressuposto ficaria tão simples assim de resolver. A sociedade não é simples. As coisas não são apenas preto e branco toda hora. Essa visão simplista serve mais para alimentar superstições e grupos do que necessariamente explicar a verdade.

Por outro lado, faria sentido que fosse uma pessoa pela simetria da coisa: seria encarnado, assim como Cristo foi. Além disso, é fácil as pessoas se identificarem com uma pessoa que tenha algo em comum, algo do tipo "é gente como a gente". Mas também isso pode acontecer com uma ideologia que envolve diferentes tipos de pessoas, ou mesmo uma instituição.

Mas aí vem o problema de novo: sempre que se fala do anticristo como uma instituição a coisa vai pra uma perspectiva de "nova ordem global", uma espécie de "união internacional", como se todos os países fossem se unir e tornar-se um só no fim das contas. Gente! Que coisa! Em tempos onde o nacionalismo é cada vez mais exacerbado (olha aí as migrações!), em tempos que países se auto-afirmam com bastante evidência (EUA x China). Como analista de relações internacionais esse tipo de pensamento é tão simplista que me dá coisas!

Muitos querem fazer um paralelo com a Torre de Babel, onde os seres humanos se reuniriam finalmente sob o mesmo regime, coisa que "Deus não deixou" na primeira vez, e seria justamente o Anticristo a fazer isso. Mas... gente! DEIXA HOLLYWOOD! Cara, por mais interconectado que o mundo esteja, também cada vez mais as pessoas e os países estão afastados uns dos outros! Isso tudo é tecnofobia? De olhar pra tecnologia como agente do apocalipse? Que espécie de mal é esse que vemos teorias da conspiração a torto e à direita?

Essa união, no argumento institucionalista, também ocorreria religiosamente. Os defensores apontam que cada vez mais há um ecumenismo vigente que faz com que as pessoas se unam religiosamente, respeitando umas às outras e tudo mais. Porém... respeito é uma coisa, aceitar e defender é outra! Um verdadeiro cristão não vai abrir mão dos pressupostos básicos da fé, ainda que respeite a dos outros.

Aí você fala: "Sim, mas esse é o verdadeiro cristão, o remanescente da igreja, sobre o qual Jesus falou". Aí eu aceito seu argumento e digo: Tá bom, agora faz essa onda ecumênica ser aceita pelo islamismo! Até o islamita mais liberal não abre mais de diversos pressupostos da sua religião que são diametralmente opostos à ideia de que o islamismo é "mais uma" entre várias religiões.


Em ambos dos lados há problemas, mas ambos parecem parcialmente corretos. O que podemos tirar disso, afinal? É que Deus preferiu não tornar isso claro. "Mas por quê?". Porque, caros, Deus não precisa ficar satisfazendo nossa curiosidade. O que está revelado em Sua palavra é para nos instruir no que realmente importa: viver uma vida santa, que anuncie a volta do senhor Jesus.O ensino escatológico é para nos preparar.

Seja qual for das opções sobre o anticristo, o que temos que lembrar é que se ele for uma pessoa, será apenas isso: uma pessoa. E jamais será maior que Cristo. Ele foi a verdadeira representação do Deus encarnado e o único que realmente cumpriu tudo o que estava previsto. E se for uma instituição, nós também temos a nossa instituição para suportar e nos preparar para tempos de aflição.

O que é importante lembrar do anticristo: 1) seu caráter usurpador: quer colocar-se no lugar de Cristo; 2) a realidade do espírito do anticristo, ou seja, o modo de pensar e agir como ele; 3) o perigo interno do anticristo: seu ensino pode estar dentro das nossas igrejas; 4) a "humanidade" do anticristo: seja lá o que ele for, não será nada fantástico ou incrível, será algo com o qual as pessoas poderão se identificar e terão desejo de seguir.

Como é que a gente faz pra reconhecer se um dinheiro é falso? A gente compara ele com o verdadeiro, vê se tem as marcas, vê se o material é o mesmo. Nosso padrão de medida é a Bíblia e nela e suas verdades é que temos que nos focar e não na curiosidade de saber o que não é preciso saber. O que precisamos é viver uma vida apegada à verdade do Evangelho e pregar isso a todos!

Sejamos testemunhas de Cristo, mesmo quando chegarem os tempos de aflição.
Até lá, seja Ele nosso guia e nossa luz.

S.D.G.