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quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Tomando decisões — O caminho da literatura - IV

Voltei. Voltei para continuar usando o caminho da reflexão ao meu favor e usar agora um pouco da mente racional (a pouca que tenho!) para investigar algumas possíveis vantagens e desvantagens, os prós e contras de migrar a literatura pros EUA. Vou tentar abordar em poucos tópicos da maneira mais prática que conseguir.


Vamos pensar primeiro em todos os contras.

1) Não escrever para meu próprio povo e idioma. Vejo isso com tristeza. Se eu pudesse, escreveria apenas drama urbano brasileiro, porém minha última tentativa nesse sentido foi um verdadeiro fiasco, então já não tenho mais ânimo. Pra mim é um contra não escrever para meu próprio país.

2) Não estar lá. Hoje em dia, ser autor não é mais só escrever, é também participar de eventos, é dar entrevistas, é mostrar sua cara e personalidade. Como vou fazer isso nos EUA se moro no Brasil? Lá tem muitos eventos para escritores e leitores dos quais não vou poder participar. A solução que penso para isso é encontrar um agente literário lá, que possa me inserir no radar das editoras; mas isso também vem com um contra, que é ter que lidar com o agente e seus honorários.

3) Competitividade. Embora os EUA tenham um público leitor bem maior que o brasileiro, isso também é verdade para a quantidade de escritores, especialmente porque você não precisa ser dos EUA para escrever em inglês. Você compete com gente da Europa, Austrália, Canadá e qualquer outra pessoa que não seja nativa mas que resolveu escrever nesse idioma (vide eu!). Isso significa que o que eu escrever precisa ser bom, de verdade, senão vou só desaparecer no mar de opções.

4) Literatura higienizada. Isso é algo que me preocupa na literatura cristã americana. Há um excesso de pudor em tudo. Parece que estamos sempre escrevendo para crianças com menos de 10 anos, que, realmente, não têm porque ser expostas a assuntos mais pesados. Mas um adulto de 40 anos ter receio de ler livro que contenha prostituição, violência, ou morte... cara, aí é demais. Mais um retrato da nossa sociedade peter-panizada.

Os outros "contras" que consigo pensar não estão relacionados com a literatura nos EUA, mas simplesmente com o que já é próprio do mercado literário: procurar editora, diagramação, revisão, capa, registro, distribuição, etc. Isso é algo que eu teria que enfrentar publicando no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo.

Tendo dito isto, vamos então aos prós.

1) Maior público leitor. Enquanto isso aumenta a competitividade, aumenta também minhas chances de encontrar um público que se identifique com o que escrevo. Querendo ou não, isso é valioso tanto do ponto de vista da satisfação pessoal (abençoar mais vidas) quanto da financeira (ter mais vendas). Além disso, formar uma base de público leitor é o item número 1 pra qualquer escritor que queira ter alguma chance de ser publicado por uma editora de verdade.

2) Não estar lá. Acho que me perdi um pouco no meu caminho de escritor porque o reconhecimento começou a me crescer aos olhos. Eu não estando lá isso fica mais distante. É um pouco o que aconteceu com minhas composições musicais, elas ficaram sempre distantes e eu nunca as pude contemplar tão bem. Hoje, penso que isso talvez seja bom e possa me ajudar a continuar a escrever só para abençoar e não necessariamente para ser visto.

3) Ganhar em dólar. Não posso negar que esse é um fator que influencia bastante, ainda mais na época em que escrevo que 1 dólar está valendo 6 reais. Ainda que minhas vendas sejam poucas, elas ainda têm mais chances de pagar os custos do livro. Além disso, me assusta muito, mas muito mesmo, como podem alguns livros tão ruins venderem tanto por lá. Falei com um amigo dos EUA sobre essa impressão que tenho do mercado editorial norteamericano e ele concordou, também não consegue entender. Então se até os ruins vendem, ora, Deus me ajudando a continuar a ser um escritor mediano tá bom demais.

#4) Fazer à distância. Como o mercado editorial nos EUA é muito mais voltado para ebooks do que livros físicos (conheço escritores americanos cujas vendas são 80% digital e 20% físico), consigo fazer tudo do Brasil, sem precisar lidar com o desgaste das vendas locais. Uma das coisas que foi pesarosa na minha decisão de encerrar a literatura no Brasil foi ver caixas e caixas de livros paradas, porque ninguém queria comprar.


Bom, olhando aqui esses prós e contras, ouso dizer que eles meio que se equilibram. Como qualquer decisão neutra, fazer ou não fazer tem os seus custos e benefícios. O que quero dizer é que, depois de colocar na ponta do lápis, a balança continua equilibrada, bastaria eu decidir. 

Porém, vou continuar aplicando a proposta de Heber Campos Jr antes de passar a régua, nem que seja só pra eu testar se o livro faz sentido mesmo ou não. Então vou reestudar o próximo caminho e apareço depois pra contar como continuo tentando tomar uma decisão segundo a vontade de Deus.

Seja Ele vosso guia e vossa luz.
S.D.G.

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