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sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Tomando decisões — O caminho da literatura - VII

Então é isso, meu povo. Depois de trilhar os diferentes caminhos, chegou a hora de finalizar essa série de posts onde exponho meu processo de aplicação do livro "Tomando decisões segundo a vontade de Deus" do Pr. Heber Campos Jr. e tento responder a mim mesmo se devo migrar minha literatura para os EUA e parar de escrever no Brasil. Hoje vou falar da última etapa que o autor sugere, o caminho da espera.

A Bíblia é cheia de textos que nos falam do valor que existe em esperar no Senhor. Ao fazer isso, estamos reafirmando nossa dependência de Deus. Assim como qualquer outra coisa na vida, precisamos tomar decisões pautadas pela fé. Quando em dúvida, não é pecado nenhum esperar. Na verdade, quando em dúvida, talvez a melhor das soluções seja esperar e avaliar o que o Senhor tem para dizer.


Tenho muito claro na minha cabeça como vou aplicar o caminho da espera. Quero ter bastante paciência antes de me aventurar lá fora, pra que eu possa me preparar com sabedoria. A primeira coisa é ter paciência comigo mesmo.

Devido à leva de baixas que tive com a literatura no Brasil, estou desanimado e sei que se eu inventar de escrever outro livro do jeito que estou, não vai sair algo bom. Preciso entender que talvez eu precise esperar um pouco. Preciso encontrar uma época em que eu não vá ter interrupções de viagens de trabalho ou outras programações para que, por um mês, eu possa escrever todo dia.

Outra coisa, não posso me aventurar com qualquer coisa. Se for pra entrar num mercado tão concorrido como o norteamericano, eu preciso ter algo bom em mãos. Não basta ser mais ou menos. Preciso dar um salto de qualidade e realmente produzir algo que vá fazer alguma diferença, pra que eu tenha chance de entrar. Minhas histórias só terão chance de alcançar pessoas se, de fato, elas estiverem ao alcance dessas pessoas. 

Sem me adiantar muito, também preciso ter paciência com o processo. Se (se!) eu escrever bom, isso não significa que de imediato será publicado, tem toda uma outra saga a ser considerada depois disso. Enquanto para o escritor a escrita de um livro é uma etapa final de uma jornada, para uma editora a recepção de um manuscrito é a etapa inicial da jornada dela. É preciso sempre lembrar disso.

Tenho muito claro que se eu não tiver paciência, não vai dar certo. Estou me propondo a mergulhar num mundo diferente. Por mais que eu tenha alguma experiência com literatura no Brasil, preciso ter consciência e humildade para começar do zero.


Então é isso, minha gente. Estou oficialmente migrando minha literatura do Brasil para o exterior. Não pretendo mais escrever em português, vou apostar minhas fichas no inglês. Não há nada de pecaminoso ou errado nessa decisão, ela é apenas uma decisão. Preciso apenas ficar sempre atento às motivações do meu coração. 

Independente, quero fazer como o Pr Heber Campos Jr. ensina: "Não devemos procurar um trabalho que traga propósito à nossa vida, mas encontrar um propósito em qualquer trabalho." (p. 97-98). Quero escrever boas histórias, quero usar meus dons e talentos para servir ao Senhor e aos outros. Quero encher meu coração do anseio do salmista:
O meu coração transborda de belas palavras. Ao rei consagro o que compus; a minha língua é como a pena de um hábil escritor. (Sl. 45:1)
Obrigado por acompanhar esta série (acho que ninguém acompanhou kkkkk, mas é assim mesmo). De qualquer forma, não sei quando ou se vou ressuscitar o blog em algum momento de novo. Quem sabe se eu tiver algo de útil a dizer. 

Até lá, não esqueça:
Seja Deus vosso guia e vossa luz!  
S.D.G.

Tomando decisões — O caminho da literatura - VI

Bom, estamos aqui bem próximos do fim dessa série de posts onde tento responder: será que devo migrar minha literatura para o EUA e parar de escrever em português? Estou tentando responder essa pergunta usando o livro do Rev. Heber Campos Jr. "Tomando decisões segundo a vontade de Deus", que me tem sido de grande proveito. Hoje vamos explorar o caminho da suspeita.

Neste caminho, o autor nos convida a suspeitar do nosso próprio coração pecaminoso (Jr. 17:9). Por que eu quero mudar? Quais são minhas motivações internas? É importante estar sempre atento à idolatria do coração e não querer ser sábio aos próprios olhos, porque até coisas não pecaminosas rapidamente se tornam ídolos como segurança, proteção, controle de situações, prazer, poder, tranquilidade, aprovação, etc.  


Penso que, inadvertidamente, já comecei a trilhar esse caminho mesmo antes de começar a série proposta por Heber Campos Jr, quando por ocasião do post onde respondi algumas pergunas (esse aqui), mas vamos chover no molhado um pouco mais.

Não dá pra negar, e eu tenho praticamente certeza, que uma das grandes motivações para esta mudança é que quero reconhecimento. Preciso ser honesto comigo mesmo e ver que, como artista, muitas vezes querem que as pessoas olhem para as coisas que "eu" criei e me deem glórias por causa delas. Esta motivação, porém, vai ser sempre verdade para qualquer coisa que eu fizer, porque essa é a natureza do meu coração. É contra ela que preciso lutar em todas as áreas da minha vida.

Que posso fazer? Se parar pra pensar, provavelmente nenhuma das minhas ações é realmente motivada por algo bom, já que minha natureza luta contra mim. Mas, tenho em mim uma segunda natureza, e enquanto as duas lutam, posso rogar ao Senhor para me ajudar. Heber Campos Jr destaca que a oração é a ferramenta essencial do caminho do engano.

Preciso ser igual o salmista quando diz: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno." (Sl. 139:23-24). Este versículo é muito repetido, mas será que é aplicado? Eu quero mesmo que o Senhor sonde o meu coração? Estou preparado para o que Ele vai me ensinar? 

Talvez eu nunca esteja, mas eu sei que preciso. Então, sim, minha oração é sincera. Senhor, sonda e me ensina. Se mudar minha literatura para o exterior não for motivado pelo desejo de te servir, mas pela idolatria do meu coração, por favor, meu Pai, que dê tudo errado, e que o Senhor me ensine, para que eu seja verdadeiramente uma boa ferramenta nas tuas mãos.


Bom, creio que o caminho do engano é o mais forte pra mim. Por mais que eu pense racionalmente sobre a questão, é o lado espiritual que pesa tanto, porque em vários momentos eu sei que estou me enganando. 

Por outro lado, não posso deixar que isso me leve ao marasmo ou fatalismo. O segredo é que apesar de tudo isso, Deus ainda pode usar pecadores para a Sua glória. Eu só não posso perder isso de vista. Que o Senhor me capacite a orar todos os dias e pedir direção, para que eu cumpra a vontade de Deus para a minha vida. 

O próximo post provavelmente é o último da série.  
Até lá, seja Deus vosso guia e vossa luz.
S.D.G.

Tomando decisões — O caminho da literatura - V

Então aqui estamos. Depois de responder algumas perguntas de forma honesta (assim penso) e trilhar um pouco o caminho da reflexão, vou continuar na jornada de tomar uma decisão conforme a vontade de Deus e verificar se devo migrar minha literatura do Brasil para os EUA. Hoje quero trilhar o caminho do aconselhamento.

Segundo Heber Campos Jr., a marca de um cristão maduro é sua capacidade não só de aceitar conselhos como até mesmo de os buscar. A Bíblia está repleta de textos que nos incentivam a nos apoiar e ajudar mutuamente. É por isso que o caminho do aconselhamento necessariamente passa pela igreja. O sábio precisa ter humildade de buscar outros sábios para que possa entender melhor o que pensa.

Foi o que fiz. Comentei essa decisão com algumas pessoas, mostrei um dos posts dessa série, e colhi algumas impressões que gostaria de compartilhar aqui.


Todas as pessoas com quem falei encaram que, realmente, não há pecado nenhum em querer mudar a literatura para outra área, o lance mesmo são as motivações e como vou fazer isso. Um irmão inclusive mencionou que existe uma boa quantidade de autores que migram para a língua inglesa justamente por causa das vantagens que citei no post passado.

Este mesmo irmão, que é das Letras, trouxe um insight muito interessante: como eu enxergo meu papel como autor? Escrevo para ter reconhecimento? Por uma causa? Como expressão? Por curiosidade? Examinar a razão de escrever pode ser muito útil em desvendar as motivações do coração.

Uma outra pessoa me falou algo muito interessante. Quando leu meu post com as cinco perguntas (esse aqui), achou minhas observações bem honestas, mas fez uma ressalva: 
Edificar, ser útil, e glorificar a Deus não está relacionado à quantidade. Em que pese a quantidade seja um fator que pesou na sua decisão, creio que isso não pode ser usado para validar a decisão nesses quesitos. [...] Ter mais pessoas lendo seus livros não significa que isso será mais útil ou que redundará em mais glória a Deus. 

Pra mim, a análise aí é qualitativa, e essa análise já foi feita quando decidiu escrever e o que escrever. O que quero dizer é concordo que não há nada pecaminoso nessa escolha, e que escrever em inglês redundará em glória a Deus tanto quanto escrever em português.
Juntando esses dois comentários, percebo que me perdi no meu caminho de escritor. Quando lancei meu primeiro livro estava muito claro para mim que aquilo não era obra das minhas mãos; mas acho que no caminho eu fui pendendo cada vez mais para outro lado. Se é pra começar de novo em outra seara, que seja do jeito certo, entendendo que não é a quantidade, mas a qualidade e o porquê de escrever.

Quando comentei com meu pastor, ele também não viu problema nenhum com essa questão. Se a oportunidade apareceu e não há nada de pecaminoso, então que se aproveite a oportunidade. Quem sabe o que o Senhor tem reservado?


Salomão foi extremamente sábio ao dizer que: "Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança." (Pv. 11:14) e Heber Campos Jr. também ao ressaltar a importância do caminho do aconselhamento numa tomada de decisões saudável. 

Isso, na verdade, nada mais é do que a igreja. Fomos salvos para estarmos juntos. Um crente que quer estar separado de outros crentes não entendeu para quê foi salvo, é uma contradição. Jesus nos salvou para que estivéssemos juntos, justamente para momentos como esse. O conselho e apoio que recebo de meus irmãos e da liderança nada mais são do que um reflexo do Espírito de Cristo que atua no povo. Obrigado, Senhor, por fazer parte da igreja viva de Cristo.

Depois volto com mais reflexões e pensando como tomar decisões segundo a vontade de Deus.
Até lá, seja Deus vosso guia e vossa luz.
S.D.G.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Tomando decisões — O caminho da literatura - IV

Voltei. Voltei para continuar usando o caminho da reflexão ao meu favor e usar agora um pouco da mente racional (a pouca que tenho!) para investigar algumas possíveis vantagens e desvantagens, os prós e contras de migrar a literatura pros EUA. Vou tentar abordar em poucos tópicos da maneira mais prática que conseguir.


Vamos pensar primeiro em todos os contras.

1) Não escrever para meu próprio povo e idioma. Vejo isso com tristeza. Se eu pudesse, escreveria apenas drama urbano brasileiro, porém minha última tentativa nesse sentido foi um verdadeiro fiasco, então já não tenho mais ânimo. Pra mim é um contra não escrever para meu próprio país.

2) Não estar lá. Hoje em dia, ser autor não é mais só escrever, é também participar de eventos, é dar entrevistas, é mostrar sua cara e personalidade. Como vou fazer isso nos EUA se moro no Brasil? Lá tem muitos eventos para escritores e leitores dos quais não vou poder participar. A solução que penso para isso é encontrar um agente literário lá, que possa me inserir no radar das editoras; mas isso também vem com um contra, que é ter que lidar com o agente e seus honorários.

3) Competitividade. Embora os EUA tenham um público leitor bem maior que o brasileiro, isso também é verdade para a quantidade de escritores, especialmente porque você não precisa ser dos EUA para escrever em inglês. Você compete com gente da Europa, Austrália, Canadá e qualquer outra pessoa que não seja nativa mas que resolveu escrever nesse idioma (vide eu!). Isso significa que o que eu escrever precisa ser bom, de verdade, senão vou só desaparecer no mar de opções.

4) Literatura higienizada. Isso é algo que me preocupa na literatura cristã americana. Há um excesso de pudor em tudo. Parece que estamos sempre escrevendo para crianças com menos de 10 anos, que, realmente, não têm porque ser expostas a assuntos mais pesados. Mas um adulto de 40 anos ter receio de ler livro que contenha prostituição, violência, ou morte... cara, aí é demais. Mais um retrato da nossa sociedade peter-panizada.

Os outros "contras" que consigo pensar não estão relacionados com a literatura nos EUA, mas simplesmente com o que já é próprio do mercado literário: procurar editora, diagramação, revisão, capa, registro, distribuição, etc. Isso é algo que eu teria que enfrentar publicando no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo.

Tendo dito isto, vamos então aos prós.

1) Maior público leitor. Enquanto isso aumenta a competitividade, aumenta também minhas chances de encontrar um público que se identifique com o que escrevo. Querendo ou não, isso é valioso tanto do ponto de vista da satisfação pessoal (abençoar mais vidas) quanto da financeira (ter mais vendas). Além disso, formar uma base de público leitor é o item número 1 pra qualquer escritor que queira ter alguma chance de ser publicado por uma editora de verdade.

2) Não estar lá. Acho que me perdi um pouco no meu caminho de escritor porque o reconhecimento começou a me crescer aos olhos. Eu não estando lá isso fica mais distante. É um pouco o que aconteceu com minhas composições musicais, elas ficaram sempre distantes e eu nunca as pude contemplar tão bem. Hoje, penso que isso talvez seja bom e possa me ajudar a continuar a escrever só para abençoar e não necessariamente para ser visto.

3) Ganhar em dólar. Não posso negar que esse é um fator que influencia bastante, ainda mais na época em que escrevo que 1 dólar está valendo 6 reais. Ainda que minhas vendas sejam poucas, elas ainda têm mais chances de pagar os custos do livro. Além disso, me assusta muito, mas muito mesmo, como podem alguns livros tão ruins venderem tanto por lá. Falei com um amigo dos EUA sobre essa impressão que tenho do mercado editorial norteamericano e ele concordou, também não consegue entender. Então se até os ruins vendem, ora, Deus me ajudando a continuar a ser um escritor mediano tá bom demais.

#4) Fazer à distância. Como o mercado editorial nos EUA é muito mais voltado para ebooks do que livros físicos (conheço escritores americanos cujas vendas são 80% digital e 20% físico), consigo fazer tudo do Brasil, sem precisar lidar com o desgaste das vendas locais. Uma das coisas que foi pesarosa na minha decisão de encerrar a literatura no Brasil foi ver caixas e caixas de livros paradas, porque ninguém queria comprar.


Bom, olhando aqui esses prós e contras, ouso dizer que eles meio que se equilibram. Como qualquer decisão neutra, fazer ou não fazer tem os seus custos e benefícios. O que quero dizer é que, depois de colocar na ponta do lápis, a balança continua equilibrada, bastaria eu decidir. 

Porém, vou continuar aplicando a proposta de Heber Campos Jr antes de passar a régua, nem que seja só pra eu testar se o livro faz sentido mesmo ou não. Então vou reestudar o próximo caminho e apareço depois pra contar como continuo tentando tomar uma decisão segundo a vontade de Deus.

Seja Ele vosso guia e vossa luz.
S.D.G.

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Tomando decisões — O caminho da literatura - III

Ok, vamos lá então para o que Heber Campos Jr. realmente propõe no seu livro. Para trilhar a vereda das decisões, ele sugere quatro caminhos: o da reflexão, o do aconselhamento, o da suspeita e o da espera. Pretendo seguir o livro à risca e trilhá-los um a um. 

O caminho da reflexão, segundo o autor, é o caminho pelo qual vamos usar a palavra de Deus e a nossa mente racional para ponderar sobre as decisões com base em princípios bíblicos. Ele entende que direção é muito mais uma questão de pensar do que de sentir. O autor nos convida a pesar os prós e os contras, a pensar em consequências de longo prazo, a decidir com base nos nossos dons e talentos. Tudo isso usando a Escritura como base para nos nortear. 

Bom, é isso que vou tentar fazer agora.


Heber Campos Jr. comentou que um dos grandes problemas hoje é que temos tanto acesso à leitura bíblica, mas pouco meditamos nela. Em tempos passados, o povo não tinha acesso às Escrituras, mas mesmo assim eram chamados a meditar nela. Levei isso em consideração e estou lendo Eclesiastes, buscando a direção por meio da sabedoria. Nessa pouca leitura, tenho visto algumas coisas. Não vou conseguir falar de todas, mas gostaria de destacar uma delas. 

Salomão constantemente fala da vaidade, da vida debaixo do sol e como ela é, em si, fútil, vazia, como vapor que logo desaparecer. Ele está certo, é claro. A vida debaixo do sol, ou seja, longe de Deus, é assim mesmo. E quando ele fala do trabalho, de como isso é correr atrás do vento, eu fiquei imaginando que minha literatura foi isso. Muito, mas muito trabalho mesmo, pra no final simplesmente não dar em nada. Teve um efeitozinho ali e acabou.

Assim seria minha perspectiva se eu não considerasse que o meu trabalho também foi acima do sol. Desde o começo minha literatura foi para servir aos outros, tenho isso muito claro na minha cabeça. Será que perdi isso ao longo do trajeto? É muito provável. Mas o ponto que quero apontar aqui é que o trabalho realizado por mim em algum momento acaba. É a natureza do próprio trabalho. 

Justamente porque Deus nos convida a viver e obedecer à sua vontade preceptiva, Deus está mais interessado no processo (em como eu trabalho) do que no resultado. Paulo plantou, Apolo regou. O trabalho deles foi de processo, não de resultado. Deus não precisa de mim para o resultado, ele só quer me abençoar me dando diferentes trabalhos. Logo, se minha literatura acabou no Brasil, não devo me vitimizar, mesmo tendo sido um trabalho acima do sol. O resultado não é meu.

Isso torna mais leve o meu caminhar. Se eu sigo com a perspectiva da vida acima do sol, eu não preciso me preocupar com o resultado, eu já sei onde vou chegar. O mais importante é eu olhar para a estrada e ter certeza de que a viagem vai ser bem feita. Quem diria que simplesmente ouvir e se render à vontade de Deus torna as coisas mais simples?


O caminho da reflexão não vai acabar aqui, ele vai seguir concomitante a todos os outros. Mas quis deixar esse insight aqui pra mostrar como esse caminho é valioso. Quantas vezes já não li Eclesiastes? Porém essa foi a primeira vez que pensei dessa forma, aplicando à minha realidade. É bênção do Senhor, que só posso ter por meio das Escrituras.

A próxima etapa seria uma abordagem bem prática e intelectual da questão. Até comecei a escrever aqui os prós e os contras, mas percebi que o post ia ficar grande demais, além de ser meio estranho mudar de tema tão abruptamente. 

Por enquanto, fica essa reflexão sobre como tenho encarado a literatura e como preciso ainda aprender mais caso eu de fato queira servir bem ao Senhor por meio desse dom. Que Deus me capacite, para que eu seja uma boa ferramenta de trabalho em suas mãos.

Seja Deus vosso guia e vossa luz.
S.D.G.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Tomando decisões — O caminho da literatura - II

Bom, esse não deve ser um post grande. Aqui devo começar a explorar o que realmente penso. A ideia de mudar a literatura pra outro país não vem de agora, é algo que já tenho estudado e de certa forma praticado nos últimos dois anos.

Também creio que não foi por acaso que conheci um escritor dos EUA que conversou comigo e disse que estaria disposto a investir e me ajudar com minha literatura lá. Ele, inclusive, acredita que meus livros venderiam e que eu teria boa chance no mercado editorial.

Tudo isso pra dizer que a ideia não surgiu do nada, mas vem aos poucos se construindo. De qualquer forma, vamos às perguntas propostas por Heber Campos Jr. 


#1) É lícito
Em outras palavras, é pecaminoso?

Creio que a resposta é não. Não é pecado a gente pensar numa mudança de carreiras (se é que posso chamar o que tenho de "carreira literária"). Porém, preciso ser honesto e o próprio Heber Campos Jr diz que embora muitas decisões em si sejam neutras, as motivações nem sempre são. Sim, é lícito. Mas por que eu quero mudar? Existe um aspecto que vejo ser problemático.

Por um lado, vejo que as portas no Brasil se fecharam e aos poucos meus livros fizeram tudo que podiam fazer, que um ciclo se encerrou, apesar de todos os esforços que fiz para que eles continuassem. Não funcionou, muito embora eu reconheça que eles tiveram uma boa caminhada, serviram a um bom propósito e, quero crer, foram bênçãos para outras pessoas.

O problema aqui é que o fato de os livros terem morrido me encheu de tristeza. Será que é por que acho que meu trabalho é tão bom que não merecia isso? Será que não é por que eu queria mais reconhecimento pelo que fiz? Será que é por que, no fundo, eu queria que os livros e as histórias servissem mais para a minha glória do que a de Deus?

Se eu for honesto, a resposta é sim. Se quero mudar a literatura pros EUA, meu foco precisa estar em fazer um bom trabalho, executar aquilo que Deus colocou nas minhas mãos, e não querer alcançar o resultado que eu penso ser o melhor. 

Logo, é lícito, mas eu preciso estar atento às motivações do meu coração. 


#2) É benéfico para mim? Convém, edifica?
Olha, eu creio que sim.

Quando escrevi meu primeiro livro, precisei mergulhar numa pesquisa intensa para garantir que o que eu fosse escrever tivesse consistência histórica e cultural. Isso me levou a conhecer uma infinidade de nuances das Escrituras que eu jamais teria conhecido se não fosse pela pesquisa. Aliás, não somente aprendi muito, como ainda tive a oportunidade de ensinar a outras na EBD da minha igreja.

Além disso, é bom fazer aquilo para o qual fomos criados. Eu sou, em essência, um artista. É muito, muito bom saber que Deus pode usar um pecador como eu para fazer algo belo. Várias vezes me sinto grato a Deus pelo dom da arte. Quanto mais beleza eu contemplo, mais eu vejo o Criador, a sua graça, a sua majestade. 

Se migrar minha literatura pra fora significa que posso continuar a experimentar isso, olha, espero que não esteja mentindo para mim mesmo, mas, para mim, sim, é benéfico, edifica e convém.


#3) É escravizante?
Pois é, seguido a linha da honestidade: sim, pode ser.

A começar pelos motivos que citei no ponto 1. Minhas motivações não são neutras e creio que todo artista luta contra isso. É preciso que eu não me deixe levar pelo orgulho e a soberba de achar que aquilo que eu criei é meu ou é obra das minhas mãos.

Não penso que a literatura me escravizaria no sentido de ser um trabalho que tomaria demais do meu tempo. Meu medo é outro. Especialmente se eu fizer sucesso por lá, o maior perigo é ficar escravizado pelo desejo de reconhecimento. Embora, parando pra pensar, isso seria verdade para qualquer arte ou qualquer área da minha vida. Qualquer uma delas pode ser escravizante. 

Este é um ponto no qual preciso ficar sempre de olho.


#4) É útil para outras pessoas?
Este talvez seja o ponto mais forte para se dizer que sim.

Embora o Brasil seja um país de dimensões continentais, o alcance dos livros não vai tão longe. Primeiro porque o Brasil, infelizmente, não é um país leitor. Segundo porque o português tem um alcance limitado se comparado a inglês e espanhol. Terceiro porque como o mercado editorial no Brasil é horrível de caro, o único jeito de conseguir publicar de forma barata é por meio de e-book. Mas deixa eu te contar, que se o Brasil já não lê... o mercado de e-books representa de 5-10% de todo o mercado literário.

Em outras palavras, creio que será muito mais útil escrever em inglês, porque o alcance desse material salta exponencialmente de uma hora para a outra. Não é que escrever em português não valha a pena e não seja útil para outras pessoas. É só que na conjuntura atual que se encontram os meus livros, o caminho que me parece mais proveitoso é migrar para o inglês. 

Se eu continuar a escrever entendendo que a função da minha escrita é abençoar outras vidas, então, sim, creio que será útil para outras pessoas.


#5) Glorifica ao Senhor?
Honestamente, se não tivesse considerado essa questão logo de cara, nem estaria escrevendo isso.

Creio que sim, essa migração de literatura é algo que glorifica ao Senhor por causa das razões que apresentei aqui. É claro que isso só será possível na medida em que eu mesmo estiver atento à vontade preceptiva de Deus para a minha vida. Quero mesmo glorificar ao Senhor? Então vou começar me submetendo à sua vontade decretiva. 


Bom, tentei de fato responder às perguntas da forma mais honesta que consegui. Depois vou enviar esse texto para algumas pessoas, justamente pra ter certeza de que não estou me enganando (caso esteja, vou comentar isso em outra ocasião).

Mas ainda não acabou, este foi só o primeiro passo nessa tomada de decisão. Heber Campos Jr. não usa essas perguntas como seu método para tomada de decisões, ele apenas as cita à guisa de introdução do assunto. E foi isso que fiz. Com essas perguntas já estou começando a responder e explorar algumas situações. Nos próximos quatro posts pretendo elucidar de vez a questão e, enfim, tomar uma decisão.

Seja Deus vosso guia e vossa luz.
S.D.G.

sábado, 4 de janeiro de 2025

Tomando decisões — O caminho da literatura - I

Nem acredito que estou voltando a escrever aqui depois de tanto tempo. Não sumi, nem me desviei, apenas surgiram outras prioridades. Ainda escrevo vários estudos, mas não tenho mais a gana de publicá-los aqui, ficam todos resumidos às aulas que ministro na classe de adolescentes na igreja.

Nos últimos anos meu foco se voltou muito para a literatura. Desde 2019/20, tenho lançado quase um livro por ano. Porém tenho visto que a literatura no Brasil, ou pelo menos na minha conjuntura pessoal, é um esforço que não traz retorno. Quase me pergunto se não é em vão. Então decidi optar por outro caminho: migrar minha literatura para os EUA, publicar tudo em inglês. Para mais detalhes, é possível ler um resumo aqui.

Mas será que essa é uma decisão que agrada ao Senhor? Será que realmente esse é um bom caminho para se trilhar? Essa série de publicações que farei são apenas eu respondendo minhas próprias dúvidas. Escrever me ajuda. Talvez te ajude também.


Toda essa série de posts teve origem com o livro "Tomando decisões segundo a vontade de Deus", do Pr. Heber Campos Jr. Alguns dos conceitos do livro já me eram familiares, mas a exposição dele abriu tantos horizontes que achei que valia a pena explorar com uma decisão que quero tomar agora.

O livro em si valeria uma série de posts no formato resenha, mostrando tudo que o autor tem para ensinar. Porém, como meu objetivo aqui é simplesmente aplicar o conhecimento que já adquiri, não vou expor cada detalhe. Por outro lado, penso que não dá pra começar a escrever direto sem pelo menos apontar algumas das bases nas quais me apoio. 

A premissa básica do livro é que a vontade de Deus para o crente é uma só e não há necessariamente uma vontade individual para cada um de nós. No mundo atual, parece que Deus tem uma vontade escondida para as nossas vidas e precisamos fazer de tudo para descobri-la. O autor rejeita essa noção. Nosso Deus é um Deus que se revela, não se esconde. Embora o autor utilize vários textos, diria que o texto base seria esse:
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Pois aqueles que Deus de antemão conheceu ele também predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. (Rm. 8:28-30)
Deus tem um plano para a nossa vida? Sim, o plano é a santificação. Não é o curso que vamos escolher na faculdade, ou a profissão que vamos exercer, ou o que vamos fazer com nosso tempo livre. A vontade dele é que, durante tudo isso, nós sejamos cada vez mais conformes à imagem do Filho, até o dia da glorificação. Essa é a vontade de Deus revelada nas Escrituras. O problema, argumenta o autor, é que nós queremos descobrir os planos de Deus que não estão revelados a nós.

Para facilitar o entendimento, e argumentando que o próprio conceito de "vontade de Deus" é algo debatido e entendido de formas diferentes por autores diferentes, o autor traz dois conceitos para a vontade de Deus: a vontade preceptiva e a vontade decretiva.

A vontade preceptiva é aquela referente aos preceitos, ordenanças de Deus. O exemplo mais claro dessa vontade são os 10 Mandamentos, que trazem uma lista direta de qual é a vontade de Deus. Essa vontade nem sempre é seguida, porque eu e você falhamos muitas vezes. Além disso, essa vontade é claramente revelada nas Escrituras. Tudo que precisamos para realmente cumprir a palavra de Deus está na Bíblia, não precisamos de nenhuma outra revelação.

A vontade decretiva, por sua vez, refere-se a todos os decretos de Deus, tudo aquilo que Deus já predestinou pelo conselho da sua vontade, ou seja, tudo que já aconteceu ou vai acontecer. Essa vontade, em contraste com a preceptiva, nunca falha. Não há como não seguir essa vontade, se Deus o decretou, assim será. Outra diferença é que, ao contrário da anterior, essa vontade não é sempre revelada. Na verdade, geralmente temos vislumbres dessa vontade somente depois que já aconteceu.

Nossa função, argumenta o autor, é viver e buscar ardentemente cumprir a vontade preceptiva de Deus e que querer descobrir o que Deus não revelou é perigoso, se não pecaminoso. Devemos buscar a vontade revelada de Deus (preceptiva) e não a oculta (decretiva). O próprio Jesus nos alerta que não devemos nos preocupar com o dia de amanhã, que pertence ao Senhor (Mt. 6:25-34) O que podemos pedir a Deus é direção e sabedoria — que consiste justamente em fazer a vontade revelada de Deus.

O argumento do autor é que as decisões que tomamos que não têm caráter moral (ou seja, que não são uma questão de pecado) são decisões livres. Não é que Deus não está no comando de todas as coisas, Ele está, e a sua decisão está dentro da vontade decretada dEle. 

Porém, não temos por que buscar revelações especiais ou achar que, diante de várias opções não pecaminosas, apenas uma seja a certa. Deus quer que eu migre minha literatura para os EUA? Ou para Portugal? Ou fique no Brasil mesmo? Desde que minhas intenções não sejam pecaminosas, não tem resposta certa ou errada, isso não faz parte da vontade preceptiva de Deus. Basta eu decidir e o que eu decidir foi aquilo que Deus já havia decretado desde antes de fundação do mundo.


Evidente que o livro é bem mais profundo que isso, estou apenas resumindo aqui até para que eu mesmo possa pisar em bases firmes quando for escrever os próximos posts. Tendo a compreensão de que a decisão que vou tomar não tem como ser contra a vontade de Deus (não sendo pecaminosa), tenho segurança para saber que Deus é quem guia minha história. 

É um pouco mais complicado que isso, claro, mas é por isso que vou explorar mais o tema. O autor propõe quatro caminhos para tomar decisões segundo a vontade de Deus. Quero começar, porém, explorando cinco perguntas que ele traz a tona — e são essas as perguntas que vou tentar responder no próximo post:
  • É licito?
  • É benéfico para mim? Convém, edifica?
  • É escravizante?
  • É útil para outras pessoas?
  • Glorifica ao Senhor?
Pretendo trazer respostas brutalmente honestas, isso aqui será mais como um diário do que um estudo. Minha oração é que Deus possa me dar sabedoria para respondê-las com fidelidade e, assim, dar o primeiro passo numa boa tomada de decisão. Espero que isso aqui seja edificante para você também. Obrigado pela leitura e nos vemos no próximo!

Seja Deus vosso guia e vossa luz,
S.D.G.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Testemunhar do amor - VII

Já vou me desculpando pelo post longo. Mas, meus caros, creio que chegamos então ao final dessas histórias. Não porque elas acabaram, mas porque é tempo de seguir em frente, já que assim o Senhor Deus o quis; quem sabe mais tarde essas histórias não se repetirão? É a esta estranha esperança que damos o nome de “saudade”. 

Em inglês, também há uma palavra que se refere à falta de algo que se perdeu ou passou, se chama “nostalgia”. É bem verdade que também temos essa palavra em português e, embora ela seja parecida com “saudade”, o significado não é o mesmo; na verdade, há uma diferença crucial.

Em “nostalgia”, temos a perda de algo, e aquilo nos machuca por dentro. É um sentimento escuro e intenso, que nos corrói por dentro, nos leva para baixo. É a dor da perda de algo que nunca mais vai voltar, de alguém ou uma experiência que passou e foi tão marcante em nossas vidas, que o simples pensamento de nunca mais o ter é tão cruel que mal podemos acreditar.

Em “saudade”, nós temos um sentimento parecido, mas que difere num ponto chave. Sentir saudade é lembrar das coisas boas que passaram, sentir falta dela e ao mesmo tempo se alegrar com essas lembranças. Ainda há a dor da perda, mas ela se mistura com a alegria de saber que há boas memórias para serem recordadas e o sentimento bom torna-se superior ao mau. E, para nós cristãos, saudade tem ainda um tom mais profundo: ela é carregada de esperança, porque sabemos que Deus ainda há de repetir essas histórias no futuro.

No post de hoje, vou colocar fotos de pessoas com quem me encontrei e falar um pouco sobre elas e a experiência que tive com elas. Apresentá-las não somente por apresentar, mas porque elas também foram instrumentos de Deus para que eu pudesse testemunhar do amor. Vamos lá, então:

Devo iniciar dizendo que fui convidado em um domingo (acho que dois, na verdade) a tocar com o pessoal do ministério de música. Como mencionei, a IPSW tem muitos momentos de hino, e cânticos são cantados apenas nos domingos à noite, em um momento específico. E é um grupo diferente que toca e canta neste momento.

Fui convidado a tocar com eles em três ocasiões diferentes, e tive a oportunidade de conhecer alguns jovens que fizeram o momento ali valer a pena, especialmente pelo entrosamento que o Espírito proporcionou, fazendo com que aqueles jovens que nunca tinham me visto, optassem por deixar-me tocar e, de certa forma, liderá-los no momento de música.

 Eu e o Sérgio (Serginho)

Eu e o Felipe

Estes dois cidadãos são parte deste grupo de cânticos que mencionei; vou ficar devendo as fotos com o outro Felipe, a Thaís e outros. O Sérgio é um rapaz tímido que toca bateria; o Felipe, por outro lado, é um cabra véi chato, kkkkkkkkk. Com o Felipe é divertido discutir, também é um irmão precioso que, assim como o Sérgio, vai fazer falta na hora de tocar.



Este aí é o Robertinho (o loiro, deixa o outro de lado por enquanto, hehehe). Ele é um bom nerd, está cursando Medicina, gosta do Guia do Mochileiro das Galáxias e ainda está me devendo uma partida de xadrez!



Este é o Pr. Jovânio, um aficionado por aves que trabalha especialmente com os jovens e adolescentes, sendo inclusive o professor da EBD para esta classe. É um jovem pastor, tem algumas coisas para decidir ainda e tem buscado orientação do Senhor para isso, mas sempre servindo a Deus com sua vida na IPSW e dedicando-se ao ministério. Foi muito bom poder compartilhar momentos de oração com este irmão e ele até me deu um livro de presente quando parti.



Este cidadão é o Luciano (o Jovânio, malandro, se meteu em metade das minhas fotos, kkkkkkk). A história que tenho para partilhar foi a vez em que assisti uma aula na EBD, em classe única de jovens e adultos. Foi um momento precioso, aprendemos bastante e compartilhamos muito também. Foi um prazer conhecer este servo de Deus, que também foi muito atencioso para comigo e com quem ainda gostaria de ter a alegria de dividir um café.



Estes são os pais do Guilherme, o Sr. Miguel e a D. Eliane. Lembra da história da D. Agmária e o Sr. Abel? Então, foi o Sr. Miguel quem me deu carona naquele dia. Em certa ocasião, acho que antes mesmo de ser apresentado formalmente para a D. Eliane, coloquei-me à disposição dela para o trabalho com as crianças, dizendo que tinha experiência e poderia ajudar. 

Ora, quando estava perto de eu ir embora (mas ninguém sabia ainda, né), ela me convidou para dirigir o coral infantil, ajudando na parte musical. Este foi mais um daqueles casos que o Senhor não quis que se concretizassem os nossos planos; mas isto não impediu que eu cifrasse a música (quando já estava em BVB mesmo) e a enviasse. O importante é servir a Deus, e ainda bem que pude fazer isso via internet, ajudando aqueles irmãos quando precisaram de mim.



Esta é a Maria Eduarda (a maioria a chama de Maria, mas eu constantemente, mesmo sem querer, acabava chamando-a de “Duda”). Ela é a irmã da Ana (que apresentei em outro post); é uma adolescente animada que tem muito potencial e vontade de aprender. Ela toca violino! Fiquei sabendo que ela nem estava tocando mais, porém quando cheguei e disse que ia tentar montar um grupo, ela se animou e voltou a estudar! Graças a Deus por isso!

Confesso que fiquei devendo à Maria (se bem que foi Deus quem quis assim, hehehe). Porque tínhamos marcado de ensaiar e fazer um dueto de cello e violino, mas não conseguimos. O lance é esperar no Senhor e orar para que Deus continue a fortalecer aquela adolescente para que ela use seus dons e talentos para servi-Lo. Aliás, embora eu não tenha feito nenhuma avaliação vocal dela, ela soa como um contralto natural! Creio que este seria também um dom a ser explorado, hehehe...

Parando pra pensar, confesso que senti vontade de conhecer alguns outros adolescentes que estavam por lá. Com a Nicole, filha da Débora, ainda cheguei a conversar um pouco sobre literatura e ainda tocamos (mais ou menos) um dueto a quatro mãos no piano! Mas tem também o Mateus, a Nicole (tem duas, se não errei o nome), a própria Débora (superanimada, fala que só kkkkkkkk, mas uma serva de Deus também), que toca flauta transversal. 

Mas tudo isto, estas esperanças, estas saudades, são coisas que Deus coloca em nosso coração para nos nutrir. Nos fazer lembrar dos momentos e saber que Ele está conduzindo as coisas como melhor Lhe apraz; não porque “tem que ser o que Ele quer e pronto” (embora tenha mesmo, haehuaheu), mas porque Ele sabe o que é o melhor para nós.



Esta preciosa irmã, Sônia, foi outra que muito bem demonstrou o amor cristão para com os outros. Foi impressionante conhecer alguém que dedica-se de tal forma a outrem que mal conhece. Seu porte atlético, especialmente para a sua idade, é bem característico. Foi alguém em que demonstrou carinho e preocupação para comigo várias vezes; aliás, se não me engano, ela é prima do Sr. Abel (ou algo assim), hehehe.


 Da esquerda para a direita: D. Maninha, D. Neide, eu e Eli

Estas três são parte daquele grupo de quarta-feira com quem estive sempre presente. É interessante que, quando eu cheguei, a Eli era basicamente uma visitante na igreja; quando eu saí, ela estava prestes a ser recebida como membro. Que felicidade! Uma serva que escolheu uma, devo dizer, boa igreja para estar em comunhão e realizar a obra no reino.

A D. Maninha – gente, já me falaram o nome dela, mas não lembro de jeito nenhum! Todo mundo chama ela assim – foi a grande articuladora do coral que, por enquanto, não saiu. Segundo ela mesma, ela é a pessoa mais velha da igreja (não, não lembro a sua idade). Foi alguém também muito disposta a trabalhar para o Senhor e que se animou com a possibilidade de fazer alguma movimentação diferente. Pena que não foi dessa vez, mas Deus sabe o que faz, e estou alegre com isso.

A D. Neide (ou Neidinha, como a chamam), esteve sempre ali, quietinha, sorrindo, mas no Espírito sendo irmã em Cristo e companheira de caminhada. A história engraçada que tenho pra contar dela é sobre o seu famoso chocolate frio, a bebida. Eu cheguei a provar e é, de fato, como dizem, muito bom mesmo; perguntaram dela o segredo, e ela disse baixinho, mas para quem quisesse ouvir:

- O segredo é colocar um golinho de conhaque.

Kkkkkkkkkkkkkkkk. Eu ri bastante quando fiquei sabendo (ou será que foi o conhaque?!). Ela estava contando que toda programação, o pessoal pedia para ela trazer aquela bebidinha da boa, até o dia em que alguém perguntou: “Neidinha, você ainda está colocando aquele toque especial?”. Ela riu. O pessoal já estava era se acostumando com a bebida e não estava mais sentindo o álcool direito! Kkkkkkkkkk. Foi quando ela resolveu dar uma diminuída na frequência, hehehehe.


Culto de oração na quarta-feira

Gostei disso. Terminei onde comecei: no culto de oração de quarta-feira. Este é o grupo que geralmente frequenta os cultos; como disse, geralmente a faixa é de poucas pessoas mesmo. Foi muito bom ter este grupo com quem podia compartilhar as alegrias e temores da viagem. Hoje, lembrando, vejo que quase não pedia por coisas, mas agradecia por muitas; porque era clara a chuva de bênçãos que Deus estava derramando sobre minha vida.

No último culto de quarta-feira, eles até fizeram uma despedidazinha pra mim, com direito a lanchinho no final! Foi lá que provei o chocolate do bom, o pão de queijo da D. Agmária, o bolo de chocolate, o café, eita.. haja dieta depois! Foi um verdadeiro prazer estar ali com aqueles irmãos.


Templo da Igreja Presbiteriana do Sudoeste (IPSW)

E assim chegamos ao fim desta série de posts, dessa jornada. No começo dessa série, eu disse que ela seria para “testemunhar do amor que Deus tem derramado sobre minha vida, para que outras pessoas vejam e o Seu nome seja glorificado!”. Espero ter alcançado meu intento, espero que vocês dois que chegaram a ler todos estes textos possam ter aprendido algo e levem isso para suas vidas.

Agradeço a Deus por ter colocado em minha vida tão grande privilégio. De servir-Lhe, de encontrar pessoas como a Ana e o Guilherme, a D. Agmária e o Sr. Abel, o Pr. Washington, a Sônia e tantos outros! De poder ser instrumento nas mãos do Deus vivo, servindo-O “por onde quer que andares.”  (Js. 1:9).

Por fim, a estes amados, digo-vos:

“Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós, fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações, pela vossa cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.
Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós, porque vos trago no coração, seja nas minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois sois participantes da graça comigo. Pois minha testemunha é Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus.
E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e indesculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.”
Fp. 1: 3-11


Seja Deus vosso guia e vossa luz. E que essa luz nunca deixe de brilhar por meio de vocês.

Soli Deo Gloria.

sábado, 13 de setembro de 2014

Testemunhar do amor - VI

Bom, outra história que merece destaque é a da D. Agmária e do Sr. Abel. Não lembro claramente quando foi, só sei que foi assim:

Era um culto de quarta-feira, e quando nos dividimos para orar, uma senhorinha, meio baixinha, de cabelos marrons ligeiramente arruivados, com uma vozinha fraca mas gentil, chamou-me e disse que gostaria de orar comigo naquele dia. 

Esta era a D. Agmária, esposa do Sr. Abel. Ela havia já por duas quartas-feiras seguidas contado que estava muito feliz porque o Sr. Abel, que estava sofrendo com um câncer por 01 ano, tinha passado pela última sessão de quimioterapia e estava respondendo bem ao tratamento e que logo mais ele estaria de volta à Igreja Presbiteriana do Sudoeste (IPSW).

Aquela notícia me alegrava o coração! Saber que mais um dos filhos de Deus tinha vencido esta dura batalha e estava pronto para voltar a uma comunhão mais intensa com os santos. A alegria daquela senhorinha era a minha, ela é minha irmã em Cristo.

“Alegrai com os que se alegram e chorai com os que choram.” (Rm. 12:15) 

Logo após termos terminado o momento de oração, ela me disse em alto e bom som:

- Gabriel, você tem que tirar um dia para ir lá em casa! Falei pro meu marido sobre você e ele disse que quer muito te conhecer; ele é escritor.

“Escritor?! Uau! Que legal! O que será que ele escreve? Será que é acadêmico ou é literário? Puxa! Que bom que ela está me convidando!” Estes foram alguns dos pensamentos que passaram pela minha cabeça animada naquele momento. Eu me senti tão confortado, tão acolhido. Aquela senhorinha estava me chamando pra ir um dia lá tomar um café, ela estava tomando conta de mim.

Agora mesmo meus olhos marejam pela bondade daquela senhora, pelo carinho que ela demonstrou por alguém que ela só tinha visto duas ou três vezes em sua vida. Aquela serva do Senhor me mostrou como é preciosa a comunhão e a hospitalidade que os filhos de Deus devem ter. A Bíblia adverte sobre isso:

“[...] compartilhai a necessidades dos santos; praticai a hospitalidade.” (Rm. 12:13). Este tipo de amor, que reflete o amor divino, é sempre encorajado: “Seja constante o amor fraternal. Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos.”(Hb. 1:1-2)

Inclusive, aquela não foi a única vez que ela fez isso. Em um domingo, à noite, ela chegou para falar comigo e disse-me:

- Gabriel, tentei falar com você hoje de manhã, mas você já tinha ido. Ia convidar você pra almoçar lá em casa... Onde você almoçou? Almoçou sozinho? 

Este tipo de preocupação tem que se tornar o padrão em nossas igrejas. Aquela era uma serva de Deus, e eu reconheci isso pelo amor que ela demonstrava: “Nisto conhecerão todos os que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo. 13:35).

Note-se, portanto, que a D. Agmária foi (é) alguém bastante marcante. Naquela quarta-feira a noite nós combinamos que eu iria tomar um café na casa dela durante a semana pra conhecer o Sr. Abel também. No domingo, quando nos reencontramos, marcamos para a terça-feira a noite (se não me engano). 

Tem mais um aspecto do acolhimento para ser destacado nessa história (antes de chegarmos na casa da D. Agmária). Lembram que eu não tinha carro pra ficar rodando na rua? Pois é. A D. Agmária pensando nisso, chamou também alguns outros adolescentes para ir naquele dia (Guilherme, Ana e Maria Eduarda, irmã da Ana), e o pai do Guilherme, o Sr. Miguel, me deu carona para ir para lá.

Bom, então fomos para a visita na casa da d. Agmária. Lá eu conheci o Sr. Abel. Deixarei a fotografia descrevê-lo; esses são o Sr. Abel e a D. Agmária:

Creio que nem precisa, mas, da esquerda para a direita: D. Agmária, eu e o Sr. Abel

A casa deles era perto do Setor Sudoeste, ficava no Cruzeiro, um bairro vizinho. Confesso que a carona que o Sr. Miguel deu foi essencial, porque era “perto”, mas a pernada ia ser bem grande. Ao chegar lá tive a oportunidade de conhecer o Sr. Abel, que com sua voz mansa e pausada, seu sorriso sempre presente, recebeu-me de forma calorosa e logo fez eu me sentir em casa.

Que tempo precioso que foi aquele! O Sr. Abel perguntou-me algumas coisas (o básico de quem eu era e pra onde ia, hehee) e comentou muitas outras. Como era bom ouvir aquele senhor falar! As histórias que ele contava! Fiquei sabendo nesta noite, que o sr. Abel é um poeta e já tem quase 1000 textos escritos (não, eu não errei, o número é mil mesmo!); inclusive, é possível lê-los neste endereço: http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=15153

Ele disse que começou a escrever a apenas cerca de 6 anos, depois que se aposentou. Ele tem muitos textos escritos para os netos, especialmente quando morava perto deles em Sobradinho (uma cidade-satélite de Brasília), e vivia histórias diárias com eles. Mas não escreve somente isto, tem textos de todos os tipos para todas as ocasiões; ouvi-lo recitá-los é algo memorável.

Mais tarde chegaram a Ana e a Maria Eduarda (irmã da Ana). Conversamos sobre diversas coisas naquele dia; falamos, falamos, falamos e ainda dava pra falar um pouco mais. O Sr. Abel confessou estar surpreso e muito feliz que os jovens estivessem visitando os velhos e que isso não era mais comum hoje em dia. 

Fiquei triste em constatar que isto não é mais nossa praxe, temos que lembrar de aprender com a sabedoria dos mais velhos! E os mais velhos têm que lembrar de ensinar suas experiências aos mais novos! E não precisa só ser coisas da fé, contem sobre sua juventude, sobre seus medos, as decisões que tomaram... Tenham em mente que, muitas vezes, os jovens não querem ouvir, porque os mais velhos não sabem falar... É uma via de mão dupla e ambas as partes têm que cooperar.

Findamos aquele momento com um cafezinho, suco e pão de queijo feitos pela D. Agmária (que, aliás, estavam muito bons!). Que momento maravilhoso de comunhão! De aprendizado juntos, de compartilhar e conhecer mais uns aos outros. Repito o versículo de Romanos: “[...] compartilhai a necessidades dos santos; praticai a hospitalidade.” (Rm. 12:13). 

Naquele dia, meu coração se alegrou muito por diversos motivos. Porque foi possível visitar aqueles senhores que tanto queriam me conhecer e que me receberam de braços abertos. Pelos jovens que estiveram ali também, pelo entusiasmo de aprender com as histórias do Sr. Abel e de ouvi-lo. E, especialmente, porque o Sr. Abel estava se recuperando de um câncer e estava indo muito bem nessa caminhada! É tanta alegria que nem posso descrevê-la por completo.

Não faz muito tempo, a madame Priscila e D. Graça inventaram a história de que iam me candidatar pra presbítero na igreja. Eu ria daquilo no primeiro momento; hoje, depois de tudo que tenho passado, aprendi que meu dever é me colocar à disposição do meu Senhor. Se Ele quiser que eu seja, eu serei; se não quiser, não serei, e isso será o melhor para a minha vida. O que importa é que eu esteja lá para servi-Lo quando Ele assim me chamar.

Estou dizendo isso porque o trabalho de visitação é muitas vezes exercido pelo presbítero também (não deve ser uma atividade exclusiva do pastor titular – os presbíteros também são pastores!); nesses trabalhos é comum ir à casa da pessoa para conversar, ler um trecho da Bíblia e orar pela família. E, antes mesmo de ir para a casa do Sr. Abel, eu já pensava em algum texto que eu pudesse ler que tivesse a ver com aquele momento de comunhão dada por Deus.

Alguns textos me vieram à mente, cheguei a pegar dicas com o Pr. Jonas, mas acabou que na hora outro texto surgiu. Naquela noite, quando já estávamos para ir embora e a mãe das meninas já estava do lado de fora esperando para sair, pedi para ler um texto da Bíblia antes de partirmos (até pedi para chamar a mãe das meninas para compartir aquele momento). 

Li o Salmo 103. Destacarei aqui apenas alguns versículos:

“Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios. Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades, quem sara todas as tuas enfermidades; quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia; quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia. […] Bendize, ó minha alma, ao SENHOR.” (Sl. 103:1-5, 22c)

E orei.



Este foi um dos momentos mais bonitos dessa viagem. Eu amo servir ao meu Senhor. Eu amo testemunhar do Seu amor. Isso não é um peso, isso é o meu maior privilégio. 

Nessa viagem, não resolvi tantas coisas “minhas” como eu gostaria: não consegui resolver se vou mudar ou não, se vou fazer algum curso, o que seria do meu futuro profissional... Tudo isso continuou do jeito que estava, parecia que a viagem não tinha acrescentado em nada! Como eu sou tolo. Como sou tolo em pensar algo assim. Eu estava lá (e estou aqui) para servir e fazer o que Deus quer para a Sua obra. 

Agora mesmo me emociono em lembrar a preciosidade do momento. E espero que o leitor possa ter um pouco disso também, espero que estas histórias sirvam para encorajá-lo a servir ao Senhor Deus, a querer ter isso na sua vida também. A minha oração é que todos vocês possam ser uma ferramenta útil nas mãos do Altíssimo.

Naquele dia, eu visitei a casa do Sr. Abel e da D. Agmária. Neste mesmo dia, eles visitaram meu coração. A diferença é que naquela noite eu me despedi e saí da casa deles; mas eles não. Eles acharam morada no meu coração.



Este não foi o último post dessa série. Ainda farei mais um falando de algumas pessoas que conheci com quem não tive tanto contato, mas que mesmo assim marcaram de certa forma esta viagem. Contarei um pouco mais das bênçãos que Deus tem derramado em minha vida e as oportunidades que Ele tem me dado de servi-Lo. 

Até logo mais! 
Que Ele seja vosso guia e vossa luz.
S. D. G.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Testemunhar do amor - V

Contarei então a história do segundo domingo em que estive na IPSW. Neste domingo, o Pr. Washington já estava sabendo que eu estava por lá, que morava perto da igreja e resolveu começar a tirar proveito da ferramenta.

Eu, salvo casos extremamente fortuitos, sempre chego antecipadamente aos meus compromissos. Não suporto a cultura do atraso que reina em nosso país. Sei muito bem que moro no Brasil e que a maioria das coisas ocorre assim. Mas isto não significa que tenho que concordar com isso! Para o meu Deus, deve ser feito o melhor, isso é o mínimo que Ele merece.

“No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor [...]” (Rm. 12:11)

Estou dizendo isso porque, naquele domingo, cheguei mais cedo à igreja (aliás os horários lá são um pouco diferentes do que estou acostumado – os serviços no domingo começam às 09h30min e às 19h). Ao ver-me chegar, o Pr. Washington perguntou se eu não poderia tocar os hinos que seriam cantados naquele dia.

Cabe uma boa explicação sobre a IPSW: eles têm uma liturgia que favorece os hinos. Isto também foi algo que me chamou atenção quando da minha primeira visita à igreja. Tanto nos domingos pela manhã quanto nas quartas-feiras à noite, só se cantam hinos. Eu gostei muito desta valorização que se dá à nossa hinologia centenária; aliás, vários membros reclamavam que nós não cantávamos mais hinos.

Então no domingo de manhã, tem-se a abertura, com um hino, depois uma breve palavra e em seguida a divisão de classes. Após a divisão, todas salas retornam ao templo para o encerramento, quando é cantado mais um hino e são dados avisos gerais. Pela parte da noite, tem-se a abertura, um momento de hinos (3 ou 4), seguido de um momento de cânticos, e, após a palavra, canta-se mais um hino seguido do tríplice amém.

Esta é a dinâmica básica na qual eu estava me metendo, hehehe. Creio eu que tenha sido uma boa experiência para o Guilherme e a Ana que eu estivesse ao piano, pois, sabendo os hinos que seriam tocados, eu escrevia os arranjos para o Guilherme tocar ao clarinete e pedia para a Ana cantar. Aliás, vale destacar, a Ana tem uma voz ex-ce-len-te! Aproveitei e pedi para que ela liderasse a igreja no cântico dos hinos, e que resultado positivo isso trouxe!

“Disse Davi aos chefes dos levitas que constituíssem a seus irmãos, os cantores, para que, com instrumentos músicos, com alaúdes, harpas e címbalos se fizessem ouvir e levantassem a voz com alegria.” (I Cr. 15:16).

Não vou tratar aqui do papel da música no culto, atenho-me a ressaltar a importância dessa ferramenta para a igreja. Lembrando que música não é só aquela que é tocada com os instrumentos e cantada pela congregação, ela está relacionada com o louvor a Deus, que envolve muito mais do que o som: envolve a nossa existência por completo.

Não lembro bem como aconteceu, mas nesse ínterim, conheci também a Débora (creio que foi no primeiro domingo que fui), ela toca flauta transversal e veio para somar com este pequeno grupo de entusiastas musicais que se formava. Foi muito bom poder tocar com ela também, pois colocando a flauta para fazer a melodia, o piano ficava mais livre para fazer outros arranjos, tornando mais criativa a música dedicada ao nosso Deus.

“Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo.” (Sl. 33:3) 

Vocês não tem ideia de quanto eu fiquei contente com essa possibilidade de criar diferentes meios para adorar a Deus de modo rico, com arte e com júbilo! Que privilégio! Para quem não sabe, eu componho, eu amo fazer isso, e (não poucas vezes) fico pensando que esta é uma das principais razões para que Deus me trouxe a esta terra.

A ideia de tanger com “arte” está muito ligada a usar nossa criatividade para tornar o louvor mais complexo, mais trabalhado, mais “bonito”. A busca da beleza na arte não é anulada quando escrevemos o louvor a Deus. Ora, sendo Ele perfeito, a busca pela “beleza” na estética musical está diretamente ligada à busca do Belo; se o Belo é a beleza absoluta, ou seja, perfeita, logo, a música que busca a beleza, busca glorificar a Deus, que é vasto em beleza também.

“Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; trazei oferendas e entrai nos seus átrios, adorai ao SENHOR na beleza da sua santidade.” (I Cr. 16:29)

O verdadeiro músico cristão não se satisfaz com a mesmice de nossas músicas, nem com o estado atual de sua técnica: ele quer melhorar, buscando dar a glória devida ao nome do Senhor! Por isso é importante que o músico esteja sempre estudando, se aperfeiçoando; e isso vale para todos que têm a música como ferramenta de adoração: o batera, o do violão, o tecladista e inclusive os cantores.

Por conta disso, no tempo que toquei na igreja, busquei trazer um louvor a Deus não apenas por meio de um mero tocar de piano, mas busquei fazer arranjos, inventar coisas que enriquecessem essa música. E isso também me foi possível pelo trabalho do Guilherme ao clarinete, da Débora na flauta transversal e da Ana ao cantar.

E foi isso que fizemos naquele domingo. Confesso que não lembro agora se foi nesse domingo que tocamos os quatro (Eu, Guilherme, Ana e Débora), mas houve um domingo em que todos os hinos foram tocados por esse quarteto. Como a igreja regozijou-se nisso! Como é precioso poder adorar a Deus com nossos dons e talentos!

Foi muito bom poder ajudar aquela pequena igreja com os presentes que Deus tem me dado. Isso só foi possível porque: “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo.” (I Co. 12:4). E este é provavelmente a maior contribuição que pude dar, este foi o meu grande testemunhar do amor para com aqueles irmãos, servir a Deus servindo ao meu próximo, onde quer que eu estivesse.

Naquele domingo só teve uma coisa que eu errei legal e foi um mega fail, hehehe. Bom, no final dos cultos, assim como acontece na II IPBV, canta-se o Tríplice Amém. Até aí tudo bem. O lance é que: 1) estava em outra tonalidade; 2) eu não havia me preparado para tocá-lo – foi meio de surpresa mesmo; 3) a igreja canta de outra forma. Na II IPBV, temos a preparação e logo começamos; mas na IPSW, eles dão uma pequena pausa... Então, como achei que eles iam entrar logo após a preparação, fiquei tocando feito um leso lá e eles esperando eu parar... kkkkkkk

O piano e eu

Mas é assim mesmo, meus caros, no fundo, ainda somos ferramentas imperfeitas usadas pelo Músico dos músicos, que assim como fazemos com nossos instrumentos, tira tempo para nos polir, afinar nossas notas e garantir que estejamos regulados, para que possamos emitir um som perfeito, límpido, agradável aos Seus ouvidos.

Foi, de fato, excelente poder passar aquele tempo ali e uma pena que, como mencionou o Guilherme, que não tivemos mais tempo para aproveitar a música em nós. Aliás, não lembro se cheguei a mencionar isso, mas estávamos pensando até em reativar o coral da igreja!

Contarei esse brevemente: a igreja tinha um coral, mas ele parou por falta de regente (antes tinha um pastor auxiliar que era músico e fazia isso) e quando cheguei e fiquei sabendo disso, houve vontade em meu coração para tomar a frente, até porque é algo com o qual eu já estava acostumado e havia vontade na igreja para realizá-lo.

O lance era que, como em todos os outros campos, estava muito incerta a minha volta. Então não tínhamos certeza se daria tempo de montar um coral, até porque o natal eu – de certeza – iria passar em Boa Vista mesmo, mas daria tempo de pelo menos montar um hino. A D. Maninha (não lembro o nome dela gente, é assim que o pessoal a chama, ahuahuah) até chegou a montar uma lista de membros interessados, acho que chegou-se a algo em torno de 23 coralistas!

Alguém pode até perguntar: “Mas Gabriel, se você sabia que provavelmente não daria tempo, ou que poderia ir embora a qualquer momento, porque criar essa expectativa do coral?”. Ah, meus caros, eu não posso pensar assim! Eu tenho que servir a Deus onde quer que eu esteja, independente do futuro: eu tenho que fazer o que eu puder fazer agora, o futuro a Ele pertence. Eu não sei o que Deus ordenará pra mim amanhã, eu sei o que Ele ordena hoje, e é isso que eu vou cumprir.

“Que proveito obterás no meu sangue, quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? Declarará ele a tua verdade?” (Sl. 30:9). O nosso tempo de servir não é depois nem mais tarde, o que Deus ordenou, isto devemos cumprir imediatamente! Eu não sei o que vai acontecer no futuro, mas sei como posso ser bênção no presente.

O pensamento básico é: “se der, foi porque Deus quis, e se não der, também é porque Deus assim o quis e isto é o melhor para as nossas vidas”. Tanto que foi isso que aconteceu! Quando eu já estava pensando em marcar o primeiro ensaio, marcaram foi minha passagem de volta para Boa Vista e o coral acabou não saindo do papel... ainda!


Bom, meus caros, este é um excerto das minhas aventuras musicais naquela igreja, em que busquei honrar o nome do Senhor com os Deus que Ele me deu. Conto isso não para que me ensoberbeça, mas para que outros vejam este comportamento e possam louvar ao nosso Deus com seus dons e talentos no hoje, onde quer que estejam.

“Porque em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” (At. 20:24)

Minha gente, não há muito mais para ser contado, mas há ainda algumas coisas preciosas a compartilhar com vocês. Espero que esta série de posts tenha motivado os irmãos a servir ao Senhor nosso Deus, pois esta é nossa verdadeira razão de ser.

Seja Deus vosso guia e vossa luz.

S. D. G.