Bom, esse não deve ser um post grande. Aqui devo começar a explorar o que realmente penso. A ideia de mudar a literatura pra outro país não vem de agora, é algo que já tenho estudado e de certa forma praticado nos últimos dois anos.
Também creio que não foi por acaso que conheci um escritor dos EUA que conversou comigo e disse que estaria disposto a investir e me ajudar com minha literatura lá. Ele, inclusive, acredita que meus livros venderiam e que eu teria boa chance no mercado editorial.
Tudo isso pra dizer que a ideia não surgiu do nada, mas vem aos poucos se construindo. De qualquer forma, vamos às perguntas propostas por Heber Campos Jr.
#1) É lícito
Em outras palavras, é pecaminoso?
Creio que a resposta é não. Não é pecado a gente pensar numa mudança de carreiras (se é que posso chamar o que tenho de "carreira literária"). Porém, preciso ser honesto e o próprio Heber Campos Jr diz que embora muitas decisões em si sejam neutras, as motivações nem sempre são. Sim, é lícito. Mas por que eu quero mudar? Existe um aspecto que vejo ser problemático.
Por um lado, vejo que as portas no Brasil se fecharam e aos poucos meus livros fizeram tudo que podiam fazer, que um ciclo se encerrou, apesar de todos os esforços que fiz para que eles continuassem. Não funcionou, muito embora eu reconheça que eles tiveram uma boa caminhada, serviram a um bom propósito e, quero crer, foram bênçãos para outras pessoas.
O problema aqui é que o fato de os livros terem morrido me encheu de tristeza. Será que é por que acho que meu trabalho é tão bom que não merecia isso? Será que não é por que eu queria mais reconhecimento pelo que fiz? Será que é por que, no fundo, eu queria que os livros e as histórias servissem mais para a minha glória do que a de Deus?
Se eu for honesto, a resposta é sim. Se quero mudar a literatura pros EUA, meu foco precisa estar em fazer um bom trabalho, executar aquilo que Deus colocou nas minhas mãos, e não querer alcançar o resultado que eu penso ser o melhor.
Logo, é lícito, mas eu preciso estar atento às motivações do meu coração.
#2) É benéfico para mim? Convém, edifica?
Olha, eu creio que sim.
Quando escrevi meu primeiro livro, precisei mergulhar numa pesquisa intensa para garantir que o que eu fosse escrever tivesse consistência histórica e cultural. Isso me levou a conhecer uma infinidade de nuances das Escrituras que eu jamais teria conhecido se não fosse pela pesquisa. Aliás, não somente aprendi muito, como ainda tive a oportunidade de ensinar a outras na EBD da minha igreja.
Além disso, é bom fazer aquilo para o qual fomos criados. Eu sou, em essência, um artista. É muito, muito bom saber que Deus pode usar um pecador como eu para fazer algo belo. Várias vezes me sinto grato a Deus pelo dom da arte. Quanto mais beleza eu contemplo, mais eu vejo o Criador, a sua graça, a sua majestade.
Se migrar minha literatura pra fora significa que posso continuar a experimentar isso, olha, espero que não esteja mentindo para mim mesmo, mas, para mim, sim, é benéfico, edifica e convém.
#3) É escravizante?
Pois é, seguido a linha da honestidade: sim, pode ser.
A começar pelos motivos que citei no ponto 1. Minhas motivações não são neutras e creio que todo artista luta contra isso. É preciso que eu não me deixe levar pelo orgulho e a soberba de achar que aquilo que eu criei é meu ou é obra das minhas mãos.
Não penso que a literatura me escravizaria no sentido de ser um trabalho que tomaria demais do meu tempo. Meu medo é outro. Especialmente se eu fizer sucesso por lá, o maior perigo é ficar escravizado pelo desejo de reconhecimento. Embora, parando pra pensar, isso seria verdade para qualquer arte ou qualquer área da minha vida. Qualquer uma delas pode ser escravizante.
Este é um ponto no qual preciso ficar sempre de olho.
#4) É útil para outras pessoas?
Este talvez seja o ponto mais forte para se dizer que sim.
Embora o Brasil seja um país de dimensões continentais, o alcance dos livros não vai tão longe. Primeiro porque o Brasil, infelizmente, não é um país leitor. Segundo porque o português tem um alcance limitado se comparado a inglês e espanhol. Terceiro porque como o mercado editorial no Brasil é horrível de caro, o único jeito de conseguir publicar de forma barata é por meio de e-book. Mas deixa eu te contar, que se o Brasil já não lê... o mercado de e-books representa de 5-10% de todo o mercado literário.
Em outras palavras, creio que será muito mais útil escrever em inglês, porque o alcance desse material salta exponencialmente de uma hora para a outra. Não é que escrever em português não valha a pena e não seja útil para outras pessoas. É só que na conjuntura atual que se encontram os meus livros, o caminho que me parece mais proveitoso é migrar para o inglês.
Se eu continuar a escrever entendendo que a função da minha escrita é abençoar outras vidas, então, sim, creio que será útil para outras pessoas.
#5) Glorifica ao Senhor?
Honestamente, se não tivesse considerado essa questão logo de cara, nem estaria escrevendo isso.
Creio que sim, essa migração de literatura é algo que glorifica ao Senhor por causa das razões que apresentei aqui. É claro que isso só será possível na medida em que eu mesmo estiver atento à vontade preceptiva de Deus para a minha vida. Quero mesmo glorificar ao Senhor? Então vou começar me submetendo à sua vontade decretiva.
Bom, tentei de fato responder às perguntas da forma mais honesta que consegui. Depois vou enviar esse texto para algumas pessoas, justamente pra ter certeza de que não estou me enganando (caso esteja, vou comentar isso em outra ocasião).
Mas ainda não acabou, este foi só o primeiro passo nessa tomada de decisão. Heber Campos Jr. não usa essas perguntas como seu método para tomada de decisões, ele apenas as cita à guisa de introdução do assunto. E foi isso que fiz. Com essas perguntas já estou começando a responder e explorar algumas situações. Nos próximos quatro posts pretendo elucidar de vez a questão e, enfim, tomar uma decisão.
Seja Deus vosso guia e vossa luz.
S.D.G.
Nenhum comentário:
Postar um comentário