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segunda-feira, 23 de março de 2020

Sobre devocional em casa

Eita, que precisou uma pandemia de fechar o mundo pra eu voltar a escrever nesse blog kkkkk. Brincadeiras à parte e só para fins de registro: meus amigos, estamos no meio de uma crise. Desde a Segunda Guerra Mundial que não passamos por algo desse calibre e numa escala tão grande. Veja só: a catástrofe chegou até Roraima! Daí você tira o alcance. 

Eu escrevo hoje este post motivado por alguns pedidos. Estamos num tempo de absoluta reclusão. O corona vírus veio para causar medo, derrubar muita gente e nos levar ao confinamento em nossas casas. É um inimigo invisível e mortal. 

Mas, isto não significa que a igreja (ou o cristão de maneira geral) deva se afastar de Cristo. Pelo contrário. São as tribulações e provações que geram em nós ainda maior perseverança. Porém este post não é sobre isso, vamos direto ao ponto: como e por que fazer devocionais em casa, especialmente numa época em que não se pode nem ir à igreja?


Eu não vou falar aqui sobre o que é uma devocional. Quero me ater mais ao prático. Mas quero destacar aqui uma coisa: não diga que você não tem tempo para fazer a devocional (ainda mais em tempos de quarentena como agora!). Nós sempre temos tempo. Sempre. Há tempo para tudo debaixo da terra. Há tempo. Você só precisa se organizar.

É um perigo muito grande ficar sem este tempo de intimidade com Deus. Entenda: um verdadeiro cristão que não tem este tempo de intimidade, deveria questionar-se seriamente sua conversão. Nós corremos um sério risco de ficarmos que nem o povo de Jeremias:
Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. (Jr. 2:13)
Sem a devocional, ficamos para sempre presos numa superficialidade. Nós abandonamos o rio de águas vivas e cavamos poços que não trazem água. Isto acontece porque eles são superficiais, não conseguem reter água porque não foram fundo o suficiente para alcançá-la. Lembre-se: sempre há tempo para a devocional. 

Aliás, vou partir do pressuposto que você já sabe que tem que ficar longe do celular, televisão, música, conversar com outras pessoas (no caso deste post, estou falando de devocional individual, posso em outro momento falar de devocional em família), etc. Não tem jeito, um bom momento de devocional é feito à sós e em silêncio! Não tenha medo do silêncio. Sei que você teme os próprios pensamentos, mas Deus estará lá com você para te ajudar.

Agora vamos lá: como se faz uma devocional? A primeira coisa que é necessária para este momento, é a sua atitude. A nossa postura deve ser de entrega ao Senhor da Palavra. Temos um exemplo disso na Bíblia: 
Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. (Lc. 10:39)
Naquele momento de entrega, Maria sabia que havia outras responsabilidades – e ela não as estava negligenciando. Mas, ela sabia muito bem que, naquele momento, não havia nada mais importante do que estar aos pés de Jesus. Esta atitude de entrega, de ter atenção, de realmente estar ali presente naquele momento, deve ser o que precede todo o resto.

Com isso, temos cinco passos bem simples para fazer uma devocional de qualidade. Cada um deles leva ao outro.

O primeiro passo é orar. Nesta oração, peça que Deus possa guiar este momento de devocional que você está prestes a iniciar. Peça perdão pelos seus pecados, para que você se apresente de maneira limpa. E ore para que Deus abra os seus olhos, para que você não apenas leia, mas possa realmente ter um momento de devocional com Deus. Ore como o salmista:
Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei. (Sl. 119:18)
O segundo passo é ler a Bíblia. Esta leitura deve ser sem interesses (vou comentar isso mais abaixo). Este é um momento de silêncio e humildade perante Deus. Entenda que você não está lendo um texto qualquer. Essa santa reverência diante da Palavra do próprio Deus não quer dizer que você vai virar um monge, é só que, naquele momento, você se põe aos pés do Senhor para ouvir a Sua Palavra.

O terceiro passo é duplo: meditação e memorização. Veja bem, novamente, por "meditação" não estou falando em fazer como os gurus indianos. O que você deve fazer é entrar no texto. O que está acontecendo? Quem disse o quê? Por que tal personagem tomou esta atitude? Quais foram as consequências delas? Se deixe imergir pela narrativa.

Quando não for uma narrativa, faça a mesma coisa. Se nas cartas de Paulo ele está dando uma exortação, absorva aquilo. Imagine Paulo escrevendo aquelas coisas e pense que aquilo foi para você. Sente diante do texto e deixe ele falar com você.

Aqui neste ponto, é muito importante a memorização. Isto é algo que tem ficado muito, muito a desejar. Entenda: memorizar não vai te tornar um super crente, tampouco vai te tornar melhor ou pior que os outros. Mas quando você memoriza, você está se capacitando para ser instrumento do Espírito Santo. Fale como Jeremias:
Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. (Lm. 3:21)
Mas como é que você vai trazer à memória algo que nunca nem colocou lá? Entende? Memorizar versículos serve como munição para momentos que você precise da Palavra. Não só para você, mas principalmente para outros que talvez precisem ouvir! Sabe aquele seu amigo que acabou te contando um problema? Sabe aquele colega de trabalho que comentou um problema? Em muitos destes casos, o Espírito Santo pode usar os versículos que você memorizou para abençoar outras vidas. A memorização não é uma atividade para crianças, mas um exercício contínuo para todo crente.

O quarto passo é fazer outra oração. Nesta oração você vai agradecer pelo momento que Deus te concedeu e pelo que você aprendeu. Veja bem, ter um momento de devocional na Palavra é um privilégio dos crentes! Esta é uma bênção que, infelizmente, não está disponível aos incrédulos. Quem não tem Deus, não consegue desfrutar da Palavra com plenitude. É evidente que o Espírito pode usar a Palavra para abençoar a vida daquela pessoa; mas, a não ser que ela tenha os olhos abertos, a devocional é uma bênção dos crentes.

O quinto passo é muito importante. Neste ponto talvez você ache que acabou. Você leu, orou, meditou. Pronto. "Cumpri minha tarefa". Mas tem ainda uma coisa muito importante que deve ser feita. E este aqui é o ponto mais negligenciado de todos: contemplação e silêncio. Quero citar alguns textos sobre isso:
Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra. (Sl. 46:10)
Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranquilidade e na confiança, a vossa força, mas não o quisestes. (Is. 30:15)
Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração. (Lc. 2:19)
Repetidas vezes a Palavra nos ensina sobre a importância de guardar as coisas no coração. De contemplar o que o Senhor nos revela. Depois que você tiver feito os passos anteriores, pense no que você leu. Aplique isto ao seu cotidiano. Se não houver aplicação direta, medite nos princípios por trás do texto, nas lições mais básicas. Eu afirmo sem medo de errar: é impossível você ler um texto bíblico e não encontrar nele aplicações. Até aquelas genealogias de Crônicas têm sua função, basta meditar.

Este momento de contemplação e silêncio deve ser feito sem pressa. Novamente: é uma questão de atitude. Você deve levar em média uns 30 minutos para fazer uma devocional de qualidade. Dá pra fazer com menos tempo, depende um pouco da quantidade de texto lido. Mas, não obstante, a coisa tem que ser feita com qualidade. Você não está cumprindo uma obrigação, você está desfrutando de um privilégio. Não queira comer tudo de uma vez, saboreie.

Termino novamente ressaltando a questão da atitude. Quando você estiver lendo não chegue diante da Palavra com uma percepção crítica ou analítica: "Hum, essa palavra no grego quer dizer o quê?"  "Ah! Essa doutrina deve ser uma subdivisão do pelagianismo. Será?". Entenda, todos estes questionamentos intelectuais e críticos são válidos: mas este não é o momento.

Você pode ter um momento de estudo bíblico mesmo, cheio dessas perguntas que são super importantes para a vida cristã. Mas no momento de devocional, você está ali para ser como Maria: entregar-se aos pés de Jesus. Deixe que Deus conduza os seus pensamentos, Ele tem o controle do texto. Procure ouvir o que Ele tem a dizer. E não aquilo que você quer ouvir.

Não busque no texto respostas rápidas para suas perguntas ou problemas. Não é assim que a devocional funciona. Deus realmente pode usar este momento para isto. Mas se você for com esta atitude, então você não quer se entregar à Palavra e ver o que Deus tem a dizer, você quer na verdade respostas para suas questões. Isto também é válido e você pode fazer isso, mas aí não é mais devocional.

Por causa disso, entenda: ler a Bíblia não é o mesmo que ouvir a Deus. Gente, eu tive um professor mega ateu na universidade que lia a Bíblia. Ah! E digo mais: ele citava alguns versículos do livro de Hebreus decorado, tá? Veja bem: muitos deles leem a Bíblia mas... com que atitude? A transformação que a Palavra traz está ligada à submissão que temos a ela. Não se esqueça disso.


Pois é, meus amigos. Espero que não demore outros dois anos pra eu postar alguma coisa por aqui. Pelo menos, por enquanto, tem algo aí de caráter mais prático. Lembre-se dos cinco passos que foram propostos aqui. Mas, por favor, tenha principalmente uma atitude de reverência e entrega diante do nosso Deus. Ele nunca quer o que é pior para você. Confie que, pela Sua Palavra, ele vai falar com você. Talvez não aquilo que você queira, mas algo que você precise ouvir.

Seja Deus vosso guia e vossa luz,
S.D.G.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Apologética - Bíblia I

Pois bem. Estudando sobre Apologética, já a abordamos de maneira geral e no último post começamos a abordar assuntos específicos; o primeiro deles foi o Relativismo e suas afirmações de que "tudo é relativo". No post de hoje vamos estudar um pouco sobre este livro sagrado dos cristãos chamado "Bíblia": ela é palavra de homens ou Palavra de Deus?

Quando se fala de Bíblia em confrontos apologéticos, estamos via de regra pensando no seu cânon; esta é uma palavra que vem do grego e significa "vara reta" ou "régua". Refere-se aos livros bíblicos que caracterizam-se como divinamente inspirados. A questão é: como saber se esses livros são canônicos de fato? Estamos falando de 66 livros na Bíblia. Outra: e os apócrifos, que são considerados escritos humanos, sem inspiração divina?



Sobre o cânon do Antigo Testamento

O cânon protestante do Antigo Testamento é o mesmo do cânon hebraico massorético, mudando apenas a ordem. Os massoretas eram judeus estudiosos que guardavam a tradição oral do texto, e as “massoras” eram anotações ou estatísticas colocadas ao lado das linhas do texto.

Há diversas testemunhas do cânon hebraico. Um dos principais é o historiador judeu Josefo (37-95 a.C.) que registrou tudo deste Artaxerxes, após a cessação dos profetas, inclusive afirmou que desde a época de Malaquias (reinado de Artaxerxes) nada foi acrescentado aos livros do cânon hebraico; sendo isto aceito pela comunidade judaica.

Mas Josefo não é o único, podemos citar Mileto, Bispo de Sardes; Orígenes, erudito do Egito: Tertuliano; Jerônimo, que também comprovaram o cânon hebraico. Este último cidadão foi o tradutor da Vulgata Latina, que deu origem ao cânon católico (vamos já falar mais sobre isso); é interessante notar, porém, que Jerônimo considerava os livros apócrifos apenas úteis para edificação e não como canônicos.

Aliás, outras versões da Bíblia na época confirmavam também o cânon hebraico, como a Peshita, que era a versão sira da Bíblia. Note também que o próprio Jesus e os apóstolos não questionaram o cânon hebraico de sua época e tampouco citaram os livros apócrifos.

Mas e quanto ao cânon católico do Antigo Testamento, que inclui os livros apócrifos, que são: adições a Daniel e Ester; Baruque; Carta de Jeremias; I e II Macabeus; Judite; Tobias; Eclesiástico e Sabedoria, além de por vezes incluir III e IV Esdras além de Oração de Manassés após o Novo Testamento? Tudo isto originou-se na Vulgata Latina, que, por sua vez, veio da Septuaginta.

A Septuaginta é nada mais nada menos que a tradução dos livros judaicos para o grego, por volta do século II a.C. Os tradutores da época traduziram diversos livros da cultura judaica e não somente o cânon hebreu; sendo acadêmicos e não necessariamente religiosos, eles não consideravam os livros como obrigatoriamente sagrados, mas sim títulos que valiam a pena traduzir pelo conhecimento em si. De qualquer jeito, foi feita a tradução de diversos livros e não só do cânon.

Séculos mais tarde, foi a vez de Jerônimo fazer a tradução da Septuaginta para o latim, originando a Vulgata Latina. Ele incluiu os livros apócrifos na sua tradução e ele mesmo afirma (sim, há textos assinados por ele que comprovam!) que apenas os incluiu por achá-los úteis para o ensino e aprendizado da Bíblia (assim como temos muitos outros livros ou posts em blogs que buscam ter o mesmo propósito de elucidar um pouco mais sobre a Palavra).

Esta tradução da Bíblia tornou-se a mais utilizada pela Igreja Católica na Idade Média. Durante este tempo muitas outras traduções começaram a pipocar e muitas delas afastaram-se cada vez mais dos textos originais. As edições tornaram-se comuns e muitas variantes textuais da Bíblia surgiram.

A inclusão oficial dos livros apócrifos deu-se no Concílio de Trento (1546). A Igreja Católica, embora possa não afirmar isto categoricamente, os incluiu em clara reação ao protestantismo e o movimento da Reforma. Especialmente porque alguns livros apócrifos tinham importantes doutrinas para a manutenção da religiosidade católica, como as orações pelos mortos, as famosas indulgências e até mesmo a crença do purgatório.

Quando surge então a igreja protestante, ela não aceita todos os livros apócrifos por considerá-los não inspirados. Mas isto foi ainda resultado de muitas discussões entre os líderes e estudiosos, não foi uma decisão tomada por unanimidade num mero gesto de revolta. 

A parte triste desta história é que por ironia foram incluídos os livros apócrifos no cânon católico quando o próprio Jerônimo dizia que não os achava divinamente inspirados, apenas úteis para informação e estudo (especialmente sobre o período intertestamentário). 

Antigamente, até eram incluídos também nas Bíblias protestantes, como fontes históricas e culturais (coisa que são mesmo!), mas eles não estavam juntos do texto bíblico, eram mais como um apêndice que ficava só no final, separado do texto sagrado. Mas depois resolveram tirar também: sinceramente, melhor assim, para evitar mais confusões e anedotas históricas.

Sobre o cânon do Novo Testamento

Este é mais "tranquilo": católicos e protestantes concordam quanto a ele, embora os judeus (por razões óbvias) não o aceitem. Mas demorou também até todos os livros serem aceitos, havia outros livros considerados importantes na época e foi necessário muito discernimento do Espírito Santo, pois alguns deles (Hebreus, Tiago, Apocalipse e outros) foram submetidos a severas avaliações.

Mas afinal de contas, quais são os critérios de canonicidade dos livros do Novo Testamento? Já vimos que no Velho Testamento, a herança histórica judaica (que foi dada pelo próprio Deus por meio de Moisés e os escribas e tendo sido preservada por eles) foi um dos fatores essenciais. Mas há outros critérios além destes? Sim, há.

O testemunho interno do Espírito Santo é o principal deles (para ambos os Testamentos). O testemunho do Espírito vale também para o entendimento da igreja como um todo. Uma coisa deve ficar clara: não foi a Igreja ou os homens que determinaram o cânon, eles apenas o reconheceram! Foi Deus quem determinou o cânon antes mesmo da fundação do mundo, pois é expressão da sua eterna Palavra. Nós somos convencidos pelo Espírito Santo dessa verdade.

Já no século I d.C. muitos destes livros do Novo Testamento eram citados e reverenciados. Não obstante, nos séculos II e III eles foram muito questionados e debatidos, por conta de muitas heresias que surgiam derivadas da má interpretação deles. Foi apenas no século IV que eles foram reconhecidos oficialmente (apenas os 27 livros que compõem o Novo Testamento).

Outro critério que é de suma importância é claro que é o conteúdo dos livros. Qualquer que seja o escrito, ele não poderia estar em desacordo com os padrões ensinados por Jesus e os apóstolos ou mesmo com o Antigo Testamento (que aponta para Jesus). Foi por causa deste critério que os livros apócrifos foram rejeitados. 

Além disso, temos também as evidências internas dos próprios livros do Novo Testamento. Ou seja, temos escritos feitos por pessoas diferentes, em tempos diferentes, mas que apontam para evidências de inspiração com, por exemplo, textos comuns a todos.


Meus irmãos. Para que Deus nos deu o cânon? Deus tem se revelado à humanidade desde os tempos de Adão; mesmo após a queda, Ele não nos abandonou. O propósito de Deus com essas revelações sempre foi para que o homem O pudesse conhecer. Sua revelação culminante foi em Jesus: foi quando cessaram as novas revelações, pois daí em diante já era possível conhecê-lo pelo que já havia.

Agora é hora de conhecer este Senhor, este autor da carta! Leia a Bíblia, você está vendo que isto não é uma fé cega, que nós temos uma razão de ter esta esperança. Que o que temos escrito hoje, não chegou até nós por acaso, mas sim pela mão de Deus moldando a história do homem e garantindo que a Sua Palavra chegasse até nós hoje.

Seja Deus vosso guia e vossa luz. A Ele toda a glória.

S.D.G.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Apologética - IV

Olá meu povo. Então. No último post falamos sobre a importância de atacar as pressuposições dos incrédulos ao invés de simplesmente defender o evangelho com fórmulas ou decorebas; lembramos também que nossa mente deve ser como a de Cristo. Neste post vamos tentar discorrer um pouco mais sobre como manter o confronto e o que é importante lembrar.

"Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo." (I Co. 2:16)

Já vimos que se conseguirmos arranjar e manter um confronto intelectual de modo que haja uma oposição entre a sabedoria de Deus e a sabedoria dos homens, a vitória é certa, pois a primeira é inimaginavelmente maior que a segunda. 


Uma coisa que é importante ressaltar é que nós não devemos utilizar princípios, proposições e pressuposições não-bíblicas para construir nossa cosmovisão ou formular argumentos. Ora, se acreditamos que a Palavra é a Verdade, então qualquer outro argumento de outra fonte só servirá para enfraquecer nossa linha de raciocínio, gerando confusão.

É importante demonstrar como as duas cosmovisões (do cristão e do incrédulo) são opostas e contradizentes, expondo como só uma delas pode ser verdadeira. Isto é importante para manter o debate sempre no ponto principal, não adianta divagar, sempre tem-se que voltar para esta ideia, pois assim estaremos colocando o raciocínio humano contra o de Deus. E, ora, se até mesmo a loucura de Deus é mais sábia que todo o pensamento humano, não temos o que temer!

Outra coisa: não podemos aceitar meio-termos! Dizer que o Cristianismo também está certo, é o mesmo que dizer que ele está errado, justo porque ele mesmo reivindica estar totalmente certo. É a mesma coisa que dizer que Deus existe em tudo (como fazem os panteístas): isto é o mesmo que dizer que Ele não está em lugar nenhum, já que está em absolutamente tudo.

Estamos lembrando aqui da estratégia que pensamos no outro post: não devemos deixar que o oponente progrida em seu raciocínio sem antes estabelecer as bases lógicas que o levaram a qualquer conclusão (seja ela explícita ou não); desta forma, as cosmovisões estarão sempre em confronto, e o incrédulo não conseguirá formular racionalmente nenhuma de suas bases.

Aliás, você não precisa esconder sua estratégia: deixe claro ao oponente que você está questionando as suas bases porque, sem ela, ele não poderá formular nenhum grande argumento, visto que ele não teria sustentação lógica ou racional. Não é nem necessário ignorar o assunto que trouxe a discussão a tona, apenas faz-se necessário estabelecer as bases para chegar até ele... 

O lance é que o problema principal está justamente na base! Ou seja, você está demolindo a arquitetura da cosmovisão do incrédulo, mostrando que o seu edifício intelectual não é tão bem montado como ele imagina.

Mas... como fazer tudo isso? Aí que entra: preparo! Você deve ter um bom conhecimento da Escritura para saber o que ela fala. Isto não é difícil, meus caros, lembre-se que não é pela sua capacidade que você aprende o que Deus revela, é Ele quem te capacita: "quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir." (Jo. 16:14)

Mas isto não nos exime de estudar e conhecer essa palavra, lembremos de um dos primeiros versículos que citei (isto para não mencionar muitos outros): "antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós," (I Pe. 3:15)

Logo, o bom apologista não é aquele que tem os melhores argumentos: mas aquele que melhor domina o conhecimento da Palavra de Deus, que é Sua revelação para nós! Com isto em mente, ele poderá clara e racionalmente rebater qualquer argumento que não esteja embasado na Verdade.

Note, assim, que não é o método que nos dá a vitória no debate: é o conteúdo! Se vencêssemos apenas pelo método, isso era apenas mais um sofisma intelectual. Um bom apologista conhece o conteúdo daquilo que prega e, dessa forma, é capaz de reconhecer aquilo que não é verdadeiro, pois não está assentado no verdadeiro fundamento da razão: Deus.

Seja Ele vosso guia e vossa luz.

S.D.G.

sábado, 9 de abril de 2016

Apologética - III

Alô amigos da rede... erh... Alô amigos! Então, no último post tratamos um pouco do que a Palavra de Deus fala sobre a racionalidade de Deus e a “racionalidade” dos homens. Hoje vamos tratar de um assunto que é central na Apologética: atacar! Lembra como falamos que nossas falas não devem constitui apenas defesas, mas também ataques àquilo que não é bíblico? Pois é, vamos desenvolver.


“Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo," (II Co. 10:3-5)

Quando estamos conversando com alguém sobre nossa fé, muitos são hostis, mas nem todos são assim. Alguns são corteses, parecem até sinceros, mas, infelizmente, perante os olhos de Deus (que enxerga as intenções do coração e não a aparência), eles ainda são rebeldes que não conseguem evitar ofender a Deus (podem até mesmo estar se enganando, achando que estão conseguindo).

Por isso, é preciso entender que: qualquer engajamento intelectual entre um cristão e um não-cristão é uma batalha espiritual. Os sinais dessa batalha nem sempre vão se manifestar de maneira física porque a verdadeira hostilidade está no campo espiritual.

Muitas vezes, fazemos abordagens e encontramos pessoas que parecem tão "compreensivas", que ao invés de estarmos apologeticamente pregando a palavra, parece mais que estamos engajando apenas em um diálogo amigável. Porém as mentes destes dois indivíduos não compartilham da mesma realidade, pois eles a enxergam de maneiras diametralmente opostas. Nós devemos encarar a situação como Deus a encara:

"Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entra a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?" (II Co. 6:14)

Agora estamos vendo que qualquer interação intelectual entre cristãos e incrédulos se trata de uma batalha e não apenas um diálogo. Com isso, se estamos pensando em uma batalha, temos que lembrar que a luta consiste tanto em ataque quanto em defesa. Vejamos algumas estratégias do oponente:

Quando o incrédulo entra numa discussão, ele não acha que você vai estar correto, pois não consegue conceber que o Cristianismo seja a única verdade. Por isso, ele não aceitará a derrota, porque, na cabeça dele, você simplesmente não pode estar totalmente correto. Por conta disso, sempre que ele se ver encurralado, ele recua e tenta contra-atacar mudando o seu argumento inicial.

É aí que está nossa chance: com cada argumento dele, nós devemos contra-atacar numa ofensiva que mine a noção dele de racionalidade. A ideia é tentar demolir o pensamento dele de modo a demonstrar que a base que ele pisa (a qual ele julga ser absolutamente firme) não é sólida. A nossa estratégia consiste em atacar tudo na cosmovisão do adversário. 

Note: isto não deve ser uma tentativa de impedir o progresso do debate! Não. Mas este deve ser a nossa estratégia norteadora, porque ao atacar os princípios por trás do discurso do oponente, você impede que ele consiga construir argumentos maiores baseados em falácias. Isto nos é útil porque o incrédulo, que frequentemente nos acusam de irracionais, não terão como protestar se seguirmos um padrão de racionalidade rígido e correto, que eles mesmos não conseguirão derrubar. 

A estratégia é: descobrir as premissas subjacentes e atacá-las. Analisar os silogismos subtendidos nas falas dos incrédulos. Questioná-los sobre os pontos aparentemente menos importantes, pois, dessa forma, ele nem terá chance de construir sua argumentação principal.

Demande que ele explicite seu raciocínio, ou seja, você deve fazer perguntas para que ele demonstre que o que diz é logicamente formulado. Se ele não conseguir fazer isso, então o irracional é ele. Nós não podemos somente ficar na retaguarda esperando ataques, devemos questionar o outro e fazer com que ele se responsabilize pelas suas objeções e declarar abertamente as premissas por trás delas, provando que estas são verdadeiras.

Quer um exemplo? O incrédulo pergunta: "Se Deus existe, porque há mal no mundo?". Neste ponto, muitos cristãos fazem milhões de malabarismos para tentar responder, quando deveriam simplesmente perguntar: "E daí? Qual é o problema disso?". Olha só o que fizemos: agora nós estamos no ataque!

O incrédulo fez uma pergunta com diversos silogismos por trás: o principal deles é que ele entende que se Deus existe então o mundo deveria ser perfeito. Mas como ele chegou nessa conclusão? Que argumentos ele pode dar para dizer que isto é correto? De onde ele tirou isso? Viu como é importante que ele demonstre claramente o que quer dizer? Muitos incrédulos nunca sequer chegaram a pensar sobre isso e, de fato, não sabem ou não têm base racional para a maioria de seus argumentos.

Muitos cristãos se afobam em tentar responder assertivas dos incrédulos, quando, na verdade, deveriam é analisar as ideias por trás dos argumentos deles. Por isso é importante ter uma mentalidade bíblica que possa se adaptar a qualquer situação: não dependa de fórmulas. "Ah, se ele disser isso, eu falo isso". Não! Porque você nunca vai conseguir cobrir todas as variações possíveis e vai ficar numa saia justa quando encontrar um argumento para o qual não se preparou.

Outra coisa: nós não estamos nos esquivando das perguntas deles, até porque (como farei em posts mais adiante), podemos responder os questionamentos específicos. O que estamos tentando demonstrar é que as perguntas e objeções dos não-cristãos, no fundo, no seu patamar mais basilar, não fazem sentido algum, pois não são baseadas no logos (Jo. 1:1)!

“Estamos convencidos que, assim como Deus tornou todo o pensamento não-cristão tolo e fútil, todo não-cristão cairá diante de uma pressão racional, pois a Razão de Deus está contra ele [...]” (CHEUNG, p. 28). 

Nossa apologética não pode ser somente uma defesa, fazendo parecer que nós temos que nos desculpar pelo que acreditamos. Nós devemos incansavelmente atacar o pensamento não-cristão com a força imensurável do Autor da lógica! Nós devemos ter a mente de Cristo!

Encha sua mente com a lógica do Autor da razão. Seja Ele vosso guia e vossa luz.

S.D.G.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Apologética - II

Pois bem. No último post vimos de um modo geral a ideia da Apologética. Neste post, vamos tentar abordá-la ainda de forma geral, mostrando como a sua ideia deve ser sempre colocar a cosmologia bíblica contra a não-bíblica, de modo a demonstrar a falácia desta última. Isto não é algo que transcorrerá em poucos parágrafos e com certeza precisaremos de mais posts para discutir isso (desta vez vou diluir bem o tema em pequenos textos, para facilitar a leitura).

Mas à frente vamos abordar questões mais sensíveis e que constantemente surgem em nossas conversas: Relativismo, A Bíblia é mesmo a Palavra?, Deus existe?, o problema do mal, e várias outras que sempre são constante alvo de questionamentos, até mesmo de cristãos. Mas, por agora, sigamos em frente falando ainda de Apologética.


Uma das primeiras coisas que temos que lembrar, é que discutir religião, política, esportes é algo que raramente fazemos em ambientes formais, é muito mais provável que nós venhamos a ser questionados da razão da nossa fé em reuniões de família, no trabalho, nas lanchonetes de universidades e até mesmo na rua. Por isso, temos sempre que pensar que temos um ambiente informal para fazer a defesa da nossa fé.

“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? 
Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação.” (I Co. 1:18-21)

A Palavra de Deus é bem clara em mostrar que Ele determinou que o homem, pela sua própria sabedoria, jamais conseguiria descobrir a verdadeira natureza da realidade (que é Deus). Isto serve para esmagar o orgulho humano e mostrar como as cosmovisões não-bíblicas não conseguem chegar-se a Deus. Nenhuma racionalidade humana sequer consegue chegar perto da de Deus:

“Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” (I Co. 1:25)

É muito claro: mesmo a “loucura de Deus” ainda consegue ser mais sábia do que toda e qualquer racionalidade humana. Nós, porém, não somos iguais ao mundo, nós compartilhamos parte do conhecimento de Deus que Ele mesmo nos revelou! Nós podemos padronizar nossos pensamentos segundo Ele: nós temos a mente de Cristo! (I Co. 2:16)

Se qualquer debate se resumir a sabedoria humana X sabedoria de Deus, então a vitória está mais do que certa. A inteligência e racionalidade são coisas que a Bíblia garante aos que O temem: “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência.” (Pv. 9:10)

É triste ver que muitos cristãos hoje têm grande respeito e até medo das mentes, ideias e ideais não-cristãs. Isto frequentemente leva a um bloqueio mental que não deveria acontecer, pois quem batalha por nós não é a nossa inteligência, dicção ou capacidade. É o Senhor Deus!  Lembre-se do “gago” Moisés, do “fraco” Davi, do temeroso Josué. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm. 8:31b)

Meus caros, o máximo que aqueles que compartilham de uma visão não-bíblica podem obter são ideias sábias pelos padrões humanos. Padrões estes mergulhados na obscuridade do pecado, que, no fundo, os torna não capazes de produzir verdadeira racionalidade. Isto não significa que devemos subestimá-los, mas também não precisamos superestimá-los!

“Se você é um cristão, então você deveria crer na Escritura. Se você crê na Escritura, então você deveria crer que a sabedoria divina é maior do que a sabedoria humana [...]” (CHEUNG, p. 10). E isto não deveria estar baseado em nenhum dom intelectual que você julgue ter, mas baseada e totalmente dependente da sabedoria de Deus revelada nas Escrituras. (Obs: tenho vários outros posts falando sobre esta maravilhosa Palavra de Deus; se quiser, depois confira-os clicando aqui).


Com esta mente, a mente de Cristo, o que haveremos de temer?
Deixe Cristo inundar sua mente! Seja Deus vosso guia e vossa luz.


S.D.G.



terça-feira, 10 de junho de 2014

O cristão e a música: o que posso tocar ou escutar?

Galera, perdão por não ter postado há tanto tempo. Mas hoje surgiu uma oportunidade muito boa de falar algo interessante.

Um amigo me perguntou pelo WhatsApp: "O que define se uma música pode ou não ser tocada por um cristão?" Essa pergunta me suscitou diversas passagens bíblicas e ideias para compartilhar. 

Aqui estão elas.

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Seguinte.
Nenhuma música é por natureza boa ou má, tudo depende do contexto dela.

Se eu fosse evangelizar uma tribo na Austrália, e ensinasse eles a cantar os louvores tocando pandeiro e berimbau, eles iriam louvar a Deus da mesma forma. Eu não estaria “enganando” eles, porque o louvor deles seria de coração e eles estariam de fato louvando e adorando ao Senhor Deus.

Para estes índios, a música sagrada seria com um instrumento usado na capoeira (antiga dança religiosa dos negros) e um instrumento do samba (ritmo popularizado pelo carnaval).

Isso demonstra que Deus está além da música, além das palavras que falamos. Lembra do que Samuel falou para Saul? Eu relembro: “Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quando em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros.” (I Sm. 15:22).

Deus não está interessado na forma como nós o louvamos, mas que façamos isso de coração: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” (Jo. 4:24) e também: “O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração.” (I Sm. 16:7c)

A etnomusicologia ensina que a música é a percepção de sons organizados que uma cultura tem, atribuindo a esses sons valores e/ou significados. Por isso, tudo depende do contexto.


Ok, agora vamos ver o outro lado da questão. Chamo atenção para este trecho das Escrituras: “Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos. Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos. [...] E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandaliza-lo.” (I Co. 8:8-9, 13)

Só pra lembrar o contexto: alguns crentes estavam comendo alimentos sacrificados a ídolos e outros irmãos não estavam se sentido confortáveis com a situação, porque eles antes adoravam aqueles ídolos por meio da comida sacrificada, orgias e bebedices, e aquele alimento trazia à tona essas memórias.

O que Paulo está dizendo é que a comida, por si só, não é nem boa nem má (se comer ou não comer, não se ganha nem se perde nada), porém ele está dizendo que é importante que a nossa liberdade (de não se importar com a origem da comida) não venha a atrapalhar aqueles que ainda são fracos, que ainda estão se livrando de costumes antigos.

É importante dizer que “escandalizar” quer dizer isso: é uma situação que traga à tona coisas de um passado pecaminoso, que o levem a relembrar e querer isso; não é só porque você acha algo “estranho” que você está escandalizado. As pessoas têm confundido muito esta palavra com “preconceito”!

Mas, voltando ao assunto, trago ainda mais um trecho da Palavra: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram, eis que se fizeram novas.” (II Co. 5:17). Neste trecho, Paulo reforça a ideia de que nós morremos para o mundo e vivemos para Cristo, coisas do passado não podem mais existir, agora nosso presente e nosso futuro é para servir e adorar ao Senhor Deus! Ou seja, coisas do passado não devem nos impedir de seguir o caminho da salvação.

Tenho duas histórias para exemplificar essa parte.

A primeira é do Pr. Jessé, da Igreja Presbiteriana Filadélfia, em Boa Vista/RR. Ele falou que ele tinha uma coleção inteira do Bon Jovi, que ele começou a comprar na adolescência dele e guardou até depois de casado e pastor. Porém, olha o que acontecia: toda vez que ele ouvia aquelas músicas, que ele pegava aqueles CDs, ele lembrava da época que ele ia para festas, que ia paquerar ouvindo essas músicas, que fazia coisas das quais Deus não se agradaria. Um dia, ele percebeu o que essa coleção tão preciosa para ele estava fazendo: estava acordando o velho homem, estava trazendo lembranças de um passado e de sensações que não devem mais existir, porque aquele homem já morreu (aliás, já estava morto!), agora surgiu uma nova criatura, que vive por meio de e para Cristo! Resultado: ele jogou fora todos os CDs. Isso mesmo, ele não doou nem nada. Jogou fora. Porque não queria correr o risco de trazer de volta sensações e memórias que em nada iriam acrescentar à sua vida agora.

A segunda aconteceu comigo um dia desses. Eu estava aqui no Ibama-sede, e passei por um corredor e senti um cheiro familiar. Fiquei impressionado com aquele cheiro, porque ele me lembrava alguma coisa que eu não sabia identificar. Tive que pensar bem para entender, aí que fui lembrar: era o cheiro da lanchonete da escola que eu estudei nos EUA! Olha só! Foi impressionante ver como um mero cheiro trouxe memórias tão antigas e até já esquecidas.

Por que, então, eu citei tudo isso só para responder tua pergunta? Porque agora você pode entender a resposta. Sua pergunta foi: “O que define se uma música pode ou não ser tocada por um cristão?”. A resposta é: se a música leva o cristão ou outros irmãos a pecar, então ela não pode ser tocada, nem escutada. Não existe um ritmo “proibido” ou que seja “pecaminoso” por natureza. O lance, é o contexto dele!

Naquele exemplo que dei dos índios australianos, eles poderiam tocar samba e adorar a Deus sem problemas. Mas se você fizer isso no Brasil, pode ser que alguns irmãos venham a lembrar da época de carnaval e das coisas que aconteciam por lá, trazendo memórias do velho homem... Mas nada impede que se toque isso numa igreja, desde que nenhum irmão venha a se escandalizar com isso! Deus ainda pode ser adorado por meio deste ritmo! Mas isso já requer certa maturidade dos irmãos para ver e entender isso. A mesma ideia vale para o rock, basta você fazer a mesma associação.

O funk, por exemplo, no contexto brasileiro, é muito difícil desassociar da ideia de palavrões, drogas, mulheres seminuas, sexo indiscriminado, etc. Até para pessoas como eu, que nunca frequentaram baladas, elas trazem essas coisas à memória, e podem ser um incentivo para pecar. Por isso eu afirmo categoricamente: na atualidade, não tem como existir funk evangélico no Brasil, porque eu não creio que alguém vá conseguir adorar ao Senhor de todo o seu coração, sem que a mente seja poluída por outras memórias ou valores.

Claro que esse assunto tem diversos outros desdobramentos: o cristão que é músico de profissão, pode tocar num bar? Numa missa? A resposta mais simples é: sim, desde que isso não o leve a pecar e nem a outros. É claro que nesse caso, por outro lado, se enfrenta um preconceito forte ainda na sociedade brasileira. Imagina o que a Tia Fulana ia achar se me visse tocando piano num jazz bar? Não que ela seja preconceituosa, não é isso, é só que isso já é parte da cultura da sociedade brasileira; enquanto nos EUA, por exemplo, essa separação é feita com facilidade, porque eles entendem de modo prático: é só mais um emprego.

O limiar do certo e o errado, é o Espírito Santo incomodando o nosso coração ou não. Se você estiver tocando ou escutando qualquer tipo de música e algo de incomodar, não hesite em ouvir a voz do Espírito, Ele sabe o que é melhor para você.

O mesmo vale para ter sensibilidade, de não forçar coisas para outros cristão que não estejam maduros. Não adianta você entender tudo isso que falei e ir querer tocar rock pauleira na igreja, quando outros cristãos vão ficar escandalizados. Temos que ter sensibilidade com a fraqueza do irmão: “Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos.” (I Co. 8:9)

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Meus caros, foi isso que escrevi. Espero que lhes seja útil, que o Espírito possa usar as palavras desse pobre pecador para ensinar algo.

Seja Deus vosso guia e vossa luz.

S. D. G.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Palavra de Deus - VIII

Retiro espiritual - Março/2014 

"Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!" (Sl. 119:97).

Este post é para os leitores possam se alegrar com o maravilhoso retiro em que estive agora, cujo tema era "Amando e meditando na Palavra de Deus", e o versículo chave foi o que vocês leram no começo da postagem. E é muita "Jesuscidência" que esse tema tenha sido exatamente sobre o que eu estive falando aqui nestas últimas semanas!

Espero que todos tenham aprendido um pouco com estes posts, que eles possam ser um canal para que Deus fale aos nossos corações por meio da Palavra da Verdade.

Não pretendo dar um resumo do que o Rev. Elias Medeiros trouxe para nós neste retiro. Mas meramente sublinhar algumas das ideias trazidas pelo pregador.

Em primeiro lugar, destaco que devemos ler a Bíblia em câmara lenta (nas palavras do próprio pregador). Isso quer dizer que não devemos ter pressa em simplesmente passar a vista pelo texto, antes, pelo contrário, devemos meditar calmamente em cada termo lido.

Cada advérbio, pronome, artigo, verbo, pode ser a diferença entre uma mera leitura e a Palavra de Deus falando aos nossos corações. Tomemos o exemplo que nos deu o pregador ao citar o texto de Sl. 119 97 (no começo da postagem):

"Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo O dia!"

Notem o destaque para o "o". Este simples artigo transformou o sentido do versículo! Se lermos com pressa e "engolirmos" o "o", teremos a impressão de que a Bíblia está querendo dizer que devemos ler a Palavra todos os dias, diariamente, constantemente. E isso não está errado, mas não é isso que este texto está querendo dizer.

No caso de Sl. 119:97, Deus está dando outra ênfase: ele quer que meditemos em sua Palavra durante TODO O dia, ou seja, que estejamos nela o dia inteiro, que não deixemos que os afazeres do mundo nos apartem dos ideais do Poderoso Deus, expressos claramente em sua Palavra!

Isto quer dizer que não importa o lugar ou situação, devemos estar lembrando daquilo que lemos na Palavra de Deus, para que Ele possa aplicar isso no nosso dia-a-dia. E fica a dica: tente colocar um alarme no seu celular (ou qualquer outro aparato -- pode até pedir pra alguém te mandar mensagem, ou ligar), para que a cada 60min você pare por alguns segundos e tente lembrar do que leu da Palavra.

Faça isso num primeiro momento de forma programada, para aos poucos se acostumar e trazer a Palavra de Deus para o seu cotidiano. Não a deixe encerrada nas letras de um livro, mas traga ela para sua vida, pois esta Palavra É viva.

Outra coisa interessante que aprendemos: tire um tempo para estudar um livro da Bíblia. Conheça o autor do livro, seu contexto histórico, seu tema principal, prepare um esboço (como um fichamento) do livro. Empenhe-se em aprender mais da Sagrada Escritura!

Não precisa ser um livro grande e complicado. Comece pequeno: vá para livros como Rute, Ester, Jonas, Judas. Depois passe para outros como Daniel, Filipenses, Eclesiastes, Colossenses, etc. Preocupe-se em crescer espiritualmente para ser instrumento nas mãos do Deus vivo!

Aliás, você nem precisa fazer isso sozinho! Nada impede que você busque auxílio de outros irmãos para ajudá-lo a estudar a Bíblia. Pelo contrário, se você sentir dificuldade não hesite em pedir ajuda a alguém que está alguns passos adiantes na caminhada cristã.

Por fim, ressalto a importância dada para a meditação diária na Palavra de Deus. Isto eu já tratei em posts anteriores, não vou me delongar sobre isso. Tudo que tenha a acrescentar é: separe um tempo da sua melhor hora do dia, para ler sua Bíblia.

E por melhor hora do dia, quero dizer aquela que lhe é mais prazerosa. Não adianta você sacrificar seu sono, alegando que aquela é sua melhor hora, quando na verdade seu maior período de acuidade mental (ou seja, disposição) é quando você vai assistir seu filme, seriado ou novela. 

É justamente NESSE horário que você deveria separar um tempo para meditar na Palavra de Deus. Porque esse é o horário que você está mais disposto para fazer as coisas. E é isto que Deus quer: o melhor! Você não precisa sacrificar as coisas que gosta de fazer, só precisa aprender a conciliar suas prioridades. Lembre-se do que diz Mt. 6:33, quando Jesus falou: "buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." 

Esta mensagem trazida por Jesus não era novidade. Desde o Velho Testamento, Deus já havia ordenado para colocar Sua Palavra em primeiro lugar.

Em Js. 1:8, Deus ordena: "Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido."

Notem os termos que destaquei: Deus ordena que este líder do seu povo, Josué, medite na Sua lei, para ENTÃO, ou seja, só depois que meditar (olha a relação de causa-consequência), prosperaria e seria bem-sucedido.

Deus quer, hoje, que priorizemos a Sua Palavra. Que tenhamos um tempo de meditação diário com Ele, lendo sua palavra "em câmera lenta", saboreando cada termo, para que Ele fale aos nossos corações, e assim cresçamos mais e mais em sabedoria, a fim de sermos instrumentos úteis nas Suas mãos.

Que o Senhor nos abençoe, que Sua Palavra habite em nós e que nós a vivamos todos os dias!

Seja Ele nosso guia e nossa luz.

S. D. G.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Palavra de Deus - VII

PRATICANDO A PALAVRA – II

É galera, ao que tudo indica este será o último post que farei sobre a Palavra de Deus, espero que todos tenham aprendido muito até aqui, assim como eu aprendi.

No último estudo, vimos a importância da Palavra para aqueles que estão começando a sua caminhada na fé, como o leite espiritual deve estar nutrindo esta criança que está dando seus primeiros passos na corrida cristã.

Ainda citando David Hatcher, no livro Idade Espiritual, é possível dizer que, na caminhada cristão, quando a criança cresce, passa a ser um jovem espiritual: “O jovem é forte na Palavra, é cheio da Palavra de Deus. Ele lê, estuda, decora, armazena a Palavra dentro de si.” (HATCHER, 2010, p. 80)

Isso fica claro quando lembramos do exemplo de Timóteo, alguém que cresceu na Palavra e sabe que são elas que podem ajudá-lo: “Tu porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação que vem pela fé em Cristo Jesus.” (II Tm. 3:14-15).

Neste texto, Paulo afirma claramente que é pelo crescimento na Palavra que poderemos nos tornar mais sábios como Jesus. Daí a importância de estar continuamente estudando esta palavra.

A ideia principal que quero trazer aqui é que, depois que cresce, a criança espiritual deixa de beber somente leite e passa a comer alimento sólido. E este deve ser o trajeto natural de todo cristão! Deus não quer que sejamos eternas crianças, que não estudam profundamente a Sua Palavra e, consequentemente, não O conhecem direito.

O autor de Hebreus deixa isso claro quando diz: “Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos [...]” (Hb. 5:13-14a).

Neste texto, o autor não está dizendo que beber do leite espiritual é algo ruim, até porque, como já vimos, isso é um processo natural de todo cristão! O problema é outro:

“Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade que alguém vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido.” (Hb. 5:12).

O problema é nunca deixar de ser criança. É nunca crescer espiritualmente, sendo um eterno bebê, que, embora ainda seja glória para o nome de Deus, não será uma ferramenta tão útil como poderia ser.

O post de hoje é voltado para aqueles cristãos que já estão há algum tempo na caminhada cristã. A exortação é: não deixem de crescer! O Espírito de Deus opera em nossos corações por meio da Palavra da verdade, já vimos isso em estudos passados. Por isso, é necessário que conheçamos mais e mais esta Palavra viva: para que vivamos!

Em Provérbios 2:4-5, vemos que: “se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus.”

Como a um tesouro escondido devemos procurá-la, pois ela é muito mais valiosa que isso. Ela é bênção para aqueles que nela caminham. Esta Palavra não só traz vida àquele que a procura e lê, mas também àqueles que estão ao seu redor.

“Mas aquele que considera atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvido negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.” (Tg. 1:25).

Que promessa magnífica o Senhor nos dá! Que pratiquemos a sua palavra e seremos bem-aventurados no que realizarmos! Gente, olha como isso é óbvio e perfeito: Deus não quer que nós O obedeçamos? E para obedecê-lo não temos que buscar na Palavra os Seus caminhos? E os Seus caminhos não são o melhor para nós? E nós, obviamente, não queremos o que é melhor para nós? Ora, então basta seguir a vontade de Deus, que teremos o que é melhor para nós! É perfeito! O propósito majestoso de Deus para nós é perfeito!

Hatcher falou algo interessante, quando disse que: “Deus não quer que você tenha apenas conhecimento [...]. Deus quer que você viva essa Palavra.” (HATCHER, 2010, p. 142)

Provérbios 8:34 diz que: “Feliz o homem que me dá ouvidos, velando dia a dia às minhas portas, esperando às ombreiras pela minha entrada.” Nos ensina que é diariamente que devemos buscar os caminhos do Senhor.

Gente, presta atenção: Deus não nos guia somente nos “grandes objetivos” da nossa vida, nos nossos “sonhos” e no “futuro”. Ele quer nos mostrar HOJE: o que temos que fazer onde quer que estejamos, com quem devemos falar, o que devemos falar, como devemos nos comportar, onde temos que ir. O propósito de Deus para o crente não está só no futuro: ele está acontecendo agora!

PARE E PENSE: O que você está fazendo agora mesmo? E como isso é parte do plano de Deus? O que Deus quer que você faça hoje? PARE DE LER DE VERDADE AGORA E PENSE.

Ore ao Senhor, busque-O em Sua Palavra. Ele há de mostrar o caminho a seguir. Cresça espiritualmente e continue a crescer para ajudar a outros. Renove sua mente constantemente (Rm. 12:2), buscando a sabedoria do Senhor. “Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito [...]” (Hb. 6:1a).

Só assim, meus caros, poderemos ser o ideal que II Timóteo 3:17 traz: “a fim de o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”

Amados, que possamos glorificar o nosso Deus por meio do conhecimento e da prática de Sua Palavra! Que ela viva em nós para que possamos ser instrumentos em Sua mão!


S. D. G.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Palavra de Deus - VI

PRATICANDO A PALAVRA - I 

People, eu estava pensando se não seria bom fazer um post final sobre a Palavra de Deus trazendo a importância dos aspectos práticos da leitura bíblica. Cheguei à conclusão de que não cairia mal e aqui estou.

Neste post, vou buscar trazer ideias de como utilizar a Palavra de uma forma geral e ao mesmo tempo tentando aplica-la. Não prometo dar grandes manobras, mas gostaria de conscientizar o leitor da importância desse livro e da sua utilidade.

Falaremos num primeiro momento sobre a importância da Palavra para aqueles que estão começando a caminhada cristã, para em outro post abordar a importância dela na vida daqueles que já têm certa experiência na fé.

David Hatcher, no livro Idade Espiritual (2010, p. 30-31), diz que o recém-nascido espiritual, ou seja, aquele que acabou de se converter, tem fome da Palavra de Deus, pois precisa de genuíno leite espiritual para se fortalecer e crescer firme e forte.

Ele traz a ideia de Pedro em I Pe. 2:2: “desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação.”

Hatcher está trazendo um ensino de mão dupla: aqui podemos aplicar tanto ao recém-convertido como para aquele que já está mais avançado na caminhada cristã.

Se você acabou de se converter e “por acaso” veio a ler este texto, a dica é: NÃO deixe de se alimentar da Palavra! Busque-a dia e noite! Se preocupe em nutrir-se do verdadeiro leite espiritual, que será capaz de fazer você crescer espiritualmente.

Lembre-se de Js. 1:8, onde Deus diz: “Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer tudo quanto nele está escrito; então farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido.”

E se você é alguém que já está mais adiante na caminhada cristão, o destaque para você é o começo deste mesmo versículo: “Não cesses de falar deste Livro da Lei”. A aplicação prática disso se dá quando você fala deste livro da lei para outros!

Neste ponto, é óbvio que me refiro à pregação da palavra para os não-crentes, mas não é só a isso que o texto se refere! Deus está comandando você, que já tem certa experiência, a ensinar os recém-convertidos sobre as maravilhas do nosso Senhor!

Esta é uma dica de ouro para jovens e adolescentes!

Nestas fases, é muito mais fácil fazer amigos íntimos, porque estamos em contato direto com pessoas que venham a se tornar nossos amigos, passamos basicamente a semana inteira com eles: ficamos um tempão com eles na escola/universidade e não raro ainda nos encontramos depois das aulas.

Meu jovem ou adolescente, preste muita atenção no que Deus está te falando! Ele quer que você fale do Livro da Lei tanto para os seus amigos que não conhecem a Deus, como também para aqueles que acabaram de se converter e precisam de um guia!

Hatcher se refere a essa etapa do discipulado como “bonding materno”, ou seja, aqueles primeiros dias do recém-nascido quando ele cria um forte laço com as primeiras pessoas que entram em contato com ele.

Olha a dica de Hatcher: “Não deixe passar uma semana sem contactar o recém-convertido. Ele precisa desse bonding com a igreja, com pessoas que o amam.” (HATCHER, 2010, p. 53).

Comece a parar para pensar como você pode fazer a diferença na vida de seus amigos, antes que seja tarde.

E claro que isso não se aplica somente aos jovens, qualquer idade (falo da criança ao idoso) é responsável “por aquilo que cativa”. E Deus colocou você em contato com essas pessoas justamente para que o Seu nome seja engrandecido!

Há uma ressalva imprescindível a ser feita, e ela vale tanto para o “recém-nascido” como para a “criança” espiritual. Os “pequeninos” da fé precisam de leite!

Cuidado para que, no afã de querer ajudar o seu amigo, você não acabe despejando nele uma cascata de informações que ele ainda não é capaz de digerir! É óbvio que o Espírito Santo o estará ajudando, mas você também tem que entender que isso é um processo.

“De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (I Co. 3:7).

O autor de Hebreus fala em Hb. 5:11, que há, de fato, muitas coisas a dizer e difíceis de explicar. Mas, assim como acontece com uma criança que está aprendendo a ler e escrever, o processo é de muita repetição e constante exercício!

É um processo lento e sistemático. A criança precisa de muito leite para ficar bem nutrida e muito exercício para aprender a fazer as coisas corretamente. Na prática, isso se traduz, nas palavras de Hatcher, em: “[...] estar estudando a Palavra, decorar a Palavra, ler a Palavra, participar dos estudos bíblicos, e vir aos cultos para aprender.” (HATCHER, 2010, p. 51)

Aquele que está começando a sua caminhada espiritual, deve buscar alguém mais experiente que possa ajudá-lo nessa caminhada. E digo mais: escolha alguém que possa te cobrar! Que não vá deixar você fazer o que bem entende ou que vai te largar! Se é seu amigo mesmo, ele vai querer que você cresça mais e mais para a glória de Deus!

E se ele não estiver te cobrando, cobre você isso dele, pode ser o pontapé que ele precisava para acordar e continuar sua caminhada cristã. Isso vai ser bênção na vida dele e na sua. O Senhor vai usar vocês dois para enchê-los da sua Palavra, que trará vida e honrará o Seu nome através de vocês, onde quer que estejam!

É hora de começar a crescer espiritualmente, para nos tornar boas e úteis ferramentas nas mãos do nosso Senhor!

Que nosso Deus e a Sua Palavra sejam nosso guia e nossa luz.

S.D.G.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Palavra de Deus - V

É gente, pensei que este seria meu último post sobre este tema em específico, mas já cansei de anunciar o fim de um tema, quando Deus claramente coloca mais ideias na minha cabeça para falar sobre ele. Quando for o fim, vocês saberão.

Sei que minha proposta foi trazer algumas abordagens sobre a Palavra de Deus que nos fizessem pensar, mas creio que neste último tópico desviarei um pouco da proposta inicial e falarei (mesmo que sem querer) também da Trindade. (Não, não desenvolverei o tópico extensamente, haverá momento para isso).

Bem, vimos uma série de coisa sobre a Palavra de Deus até então. Sua origem, características, função, de quem ela fala e o que Aquele que fala quer de nós: que sejamos como a Palavra viva, Aquele que veio para nos mostrar o verdadeiro caminho da luz.

Neste último estudo, eu gostaria de destacar o presente único que é a Palavra de Deus (no sentido de Escrituras) para nós. Olhemos o texto de Jo. 8:43, 47 e vejamos o que Jesus diz aos fariseus: "Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra [...]. Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus." 

Ora, vejam só como Jesus mostra como aqueles homens, que não eram de Deus, não criam no Seu Filho que estava na sua frente e, consequentemente, não eram capazes de compreender as Escrituras, eram cegos.

Jesus afirma isso mais de uma vez, sendo a mais óbvia em Mt. 22:19, onde: "Respondeu-lhes Jesus: Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus." O que por vezes esquecemos é que as duas coisas estão ligadas: não se pode conhecer as Escrituras sem o poder de Deus!

O que quero trazer aqui é que somente uma mera leitura da Bíblia não é suficiente para compreendê-la. Nós não podemos achar que poderemos entender tudo que Deus tem revelado para nós baseando-nos somente no nosso conhecimento. Como poderíamos absorver os conhecimentos da Palavra viva por nós mesmos?! Nós! Meros humanos pecadores, que não sequer dignos do amor derramado pelo Pai, que trouxe a Palavra viva para nos salvar!

Ora, lemos no último estudo que Jesus é a Palavra viva, que vive em nós (Gl. 2:20). Calma aí... vamos pensar aqui: como pode ser que Jesus, que foi feito carne e osso possa estar vivendo dentro de nós? Isto é uma inconsistência com as leis da Física e não faz sentido nenhum! 

Ah! Mas não podemos nos esquecer do que lemos no final do último estudo: “Pois há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um.”  (I Jo. 5:7). Então vemos na doutrina da Trindade que o Deus Pai, o Deus Filho e o Deus Espírito Santo também agem em conjunto até mesmo quando nós estamos lendo a Bíblia!

Jesus nos prometeu que Ele subiria para junto de Deus Pai, mas não nos abandonaria, muito pelo contrário! Ele estaria para sempre conosco: "E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século." (Mt. 28:20b). 

Ele faz isso nos enviando o Santo Espírito: "mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito." (Jo. 14:26).

Neste texto vemos que Jesus nos mostra como Ele há de continuar conosco até o fim dos tempos. Ele envia Aquele que não somente estará conosco, mas nos ainda nos ensinará o que Deus tem preparado para nós nas Suas Escrituras.

E nós, por nós mesmos, não conseguimos entender! Vai dizer que vocês nunca ouviram falar (ou não conhecem) um professor ou cientista que já leu a Bíblia com o simples propósito de mostrar que ela não faz sentido algum? Ou mesmo pessoas que gostam de pegar passagens da Bíblia fora de contexto para mostrar como ela se contradiz ou como é simplesmente loucura?

Bem que a Bíblia falou: "Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus." (I Co. 1:23). Meus irmãos, a Palavra do Senhor é o guia fiel para aqueles que são Seus. Pois só com a ajuda do Seu Santo Espírito é que poderemos compreendê-la e utilizá-la.

Vejamos um caso mais prático: um pregador vai à cidade de Samaria, anunciando o Senhor Jesus, e lá a multidão recebe a sua palavra, com grande alegria. Mas um anjo do Senhor diz para ele ir para o sul, descendo de Jerusalém para Gaza.

E eis que no caminho ele encontra um homem, um oficial da realeza, num carro, lendo os escritos do profeta Isaías... Então o Espírito Santo convence aquele pregador a se aproximar do carro do oficial, e, ouvindo o que o ele estava lendo, perguntou: "Compreendes o que vens lendo?" (At. 8:30b).

Exasperado, o oficial responde: "como poderei entender, se alguém não me explicar?" (At. 8:31a). Então, Felipe, o pregador, sobe no carro e passa e explicar-lhe as Escrituras: "Então, Felipe explicou; e, começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Jesus." (At. 8:35).

Ora, ora, que interessante! É o Espírito Santo que convence Felipe a se aproximar do homem (vs. 29) e ali, "por acaso" o homem estava lendo uma passagem de Isaías que se referia a Jesus, a Palavra viva! E ali Felipe passa a falar sobre Jesus ao homem. 

E por acaso será que Felipe explicou porque era um bom pregador? Que era bom no que fazia? Porque as circunstâncias facilitaram o trabalho dele? Que nada! "Porque pela graça sois salvos; mediante a fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus." (Ef. 2:8).

Do começo ao fim: a Palavra é de Deus!

Foi Ele quem a pronunciou antes da fundação do mundo, anunciando a Palavra viva, o Verbo que se fez carne e veio até nós para nos livrar e, mais ainda, quem nos faz entendê-la ainda hoje! Suas ideias e ideais são perpétuos e para sempre serão por Ele, para Ele e por meio d'Ele. 

Hoje, quando for ler a Santa Escritura, peça para que Deus faça seu Espírito Santo abrir sua mente e coração para que a Palavra viva pulse em seu coração e transborde pelos seus lábios, assim como Ele o fez a Felipe.

Seja Deus seu guia e sua luz, e que a Sua Palavra habite em nós.

S.D.G.